O que as pessoas dizem quando você fala que vai morar no Canadá?

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Sabe quando você vai super alegre contar para as pessoas que você vai morar no Canadá?

Geralmente nós esperamos as coisas estarem minimamente encaminhadas para começar a noticiar. Para essas coisas estarem “minimamente encaminhadas” é bem normal que um longo caminho já tenha sido percorrido. Afinal, só a decisão em si já é algo bem prolongado. Depois vem a escolha do lugar, a viabilização financeira, a busca pelo convite, o planejamento, o visto… São vários passos que demoram um pouco, nada é do dia para a noite.

Daí você vai empolgadíssima contar para uma pessoa e ela diz?

– Mas é muito frio! Você tem certeza?

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“Não, não tinha pensado nisso! Vou desistir agora!” Será que é isso que as pessoas esperam ouvir? Custa ser um pouco mais empático com o sonho alheio?

Eu amo frio. Meu sonho é fugir do misto de umidade extrema com calor sufocante. Sou do tipo que prefere praia fora da temporada, odeio torrar no sol e fico suada por qualquer coisa. Como eu tenho pressão muito baixa, fico muito improdutiva no verão, desmaio, passo mal. Meu sonho é morar no frio. Mas vamos continuar o diálogo. Daí, suponhamos que como eu, você diga:

– Eu adoro o Frio. Não vai ter problema não.

– Ai, mas você vai ter coragem de deixar sua família? Eu nunca faria isso.

… Sim, deixar a família é uma coisa muito difícil. É o principal fator que às vezes dá vontade de desistir. Nunca pense que uma pessoa que está indo para fora do Brasil, ou até fora de sua cidade, não considerou tudo que terá que deixar para trás. É difícil demais. Por isso, é um sacanagem imensa apelar para a ferida da pessoa e colocar o dedo lá para ver a pessoa sangrar. Pra que?

Como vamos para Vancouver, sempre acabo dizendo que lá não é tão frio quanto o resto do Canadá. Daí sempre vem alguma criatura para dizer que lá chove muito. Bom, em Vancouver chove cerca de 16o dias por ano. Eu moro em Santa Catarina. Não tem um levantamento tão preciso como no Canadá, mas na minha cidade acredita-se que chova de 110 a 150 dias por ano. Em 2015 ficamos um período de 43 dias seguidos sem um dia de sol. Acho que eu dou conta tranquilamente.

Fiz esse post basicamente para dizer que quando um amigo/familiar/conhecido chega para contar uma novidade que ele está feliz, não fique questionando a felicidade alheia. Embarque na empolgação, incentive a pessoa. Quando alguém chega e conta que está grávida ou que vai casar você não olha (pelo menos se espera que não) pra cara da pessoa e diz – “Nossa, ter filho é tão trabalhoso…” ou “-Pra que casar? Tanta gente se separa!”. Poxa, pessoal. Sejamos mais empáticos, por favor.

Um sorriso e uma palavra de incentivo ajudam não só o próximo, mas nós mesmos a também pensar em decisões que podem nos fazer feliz.

 

 

 

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Melhores canais do youtube sobre o Canadá

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Me lembro como se fosse hoje quando foi a primeira vez que eu ouvi falar do youtube. Era um dia abafado de janeiro de 2007. Eu lia uma revista semanal que trouxe uma matéria falando de um site mágico onde as pessoas fora do Brasil costumavam a ver vídeos. Fiquei intrigada, Fui até meu PC – desktop, é claro- acessei e me apaixonei.

Youtube é uma bela fonte de informação, entretenimento, etc. Aqui em casa não temos mais tv a cabo. É só youtube e netflix, para vocês terem uma noção. Então nada mais justo do que eu procurar sobre minha futura nova casa por lá.

Confesso que não achei tantos vídeos legais sobre Vancouver especificamente. O mais interessante que eu vi foi sobre como a cidade sempre faz papel de outras cidades em filmes/séries/etc. Gostei bastante desse.

Mas foi no canal de Yotubers que eu me achei. Dicas sobre a cidade, imigração, saúde, comida, habitação… Tem de tudo por aí. Fiz uma listinha, primeiramente com sete canais, sem uma ordem específica, mas com os meus favoritos, check it out:

Amanda Araújo

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Caí no canal da Amanda sem saber ao certo o que era. Como o canal não tinha Canadá no nome, fiquei até meio reticente se ele realmente era interessante para acompanhar. Foi uma surpresa e tanto… é excelente! Descobri o canal no mesmo mês que a Amanda e o marido dela se mudaram para o Winnipeg. Desde lá, acompanho vídeos muito interessantes, super informativos sobre a mudança pro Canadá! A Amanda parece ser uma querida, faz todos os vídeos com sinceridade e dedicação. Tem vídeo sobre compras pra casa (com preços), aluguel de casa (com preço), custos da imigração/college, passo a passo sobre o processo de mudança deles, como ela arrumou emprego, como alugar carro… Tem muita informação importante apresentada de uma forma bem didática. Amo os vídeos sobre supermercados que ela faz. É ótimo para um planejamento, já que ela sempre tem o capricho de mostrar os preços. Independente de você ir para Winnipeg ou outro lugar, recomendo bastante o canal.

Kitty no Canadá

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Quando eu vi o canal da Kitty pela primeira vez, há uns cinco meses, não sabia ao certo se eu ia gostar ou não. Como ela não estava no Canadá ainda (acho que ela só foi essa semana!) achei que não fosse ser muito útil… WRONG! Que nada, ainda bem que eu não desisti! O canal dela atualmente é o que mais me traz informações para o meu processo de mudança. Acompanhá-la nessas últimas semanas, pertinho do embarque, foi demais! Por exemplo: eu estou aguardando novidades sobre o tipo de acomodação que ela escolheu para ver se vale a pena, inclusive. Se valer vou copiar. E vou falar por aqui, é claro. A Kitty traz várias dicas legais, como quando ela fala sobre procurar vôos pelos Google Flights ou quando ela indica as formas de mandar dinheiro e validar créditos para a faculdade no Canadá. Recomendo demais!

Cadê a Chave

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Nunca vi em blog/vlog alguém indicando o Cadê a chave com vlog do Canadá. Talvez seja por ele ser um dos canais mais polulares do Brasil, com mais 1.200.000 inscritos e que o tema seja mais a vida dos dois protagonistas: Nilce e Leon. Leon tem um outro canal super popular no youtube sobre nerdices, o Coisa de Nerd. Pelo o que eu entendi, há mais ou menos três anos ele e sua esposa resolveram abrir um canal mais pessoal, com o dia a dia dos dois. Depois de um ano de Cadê a Chave, eles se mudaram para Vancouver. Os vídeos são diários, curtinhos, bem feitinhos. Nem todos são sobre Vancouver, de fato poucos são. Mas sempre sobra um passeio, uma voltinha em um restaurante, um comentário sobre o Canadá. Como os dois são super divertidos, é muito legal acompanhar e esperar algum easter egg de Vancouver.

Família Chewbacca

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Como super fan de star wars, claro que quando eu vi esse nome cliquei no canal de cara para ver. E foi ótimo. Vi os vídeos desde o começo, da mudança deles para Toronto até a adaptação deles no País.  Gosto muito dos vídeos de custo de vida e de open house – quando eles visitam casas que estão a venda e mostram os valores dos aps. Claro que comprar uma casa é algo beeeeem distante, mas acho bem divertido ver os valores. Para quem está de mudança para o Canadá é bem legal ver o processo deles de mudança, procura de casa e adaptação. A Carla, matriarca do canal, é super sincera e passa o ponto de vista deles de como foi chegar em Toronto. É importante dizer que eles não estão morando mais no Canadá hoje, mas os vídeos dessa época continuam por lá.

Mais ao Norte

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Esse é o canal para você que quer se encantar com o Canadá. Ele não tem muitas informações específica de preços, a ideia aqui é ser mais visual e muito divertido. Os dois são tão carismáticos que quando você assiste parece que eles seus melhores amigos. Em alguns vídeos você vai babar, sonhar e desejar que chegue logo a hora de viajar. Os meninos que fazem são super simpáticos, dá vontade na hora de ser amiga deles. Recomendo ver os vídeos sobre outono, inverno, verão, com um guardanapo do lado para limpar a baba.

Canadá Diário

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Tá aqui um canal que não tem como estar fora da lista. Tem coisas para todos os gostos: vídeos com a chegada do casal no Canadá, vídeo com custos de vida, video com perguntas frequentes, vídeo com a chegada dos dos filhos no mundo, vídeo sobre gravidez e maternidade, vídeos sobre coisas particulares do Canadá e por aí vai. É um dos primeiros canais voltados a saber da vida de brasileiros no Canadá (eles migraram em 2009, se eu não me engano). Canadá Diário é quase obrigatório para quem vai morar por lá.

Mandy e Mais no Canadá

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Last but not least, eu recomendo o canal da Mandy. Ela já morou em Quebec, Montreal e agora mora em Toronto, então tem informação para todos os públicos! Ela tem vídeos bem informativos, inclusive com tabelas de gastos, dando dicas de limpeza de casa, de como se vestir no inverno. Tem muita coisa legal por lá. Como ela tem muitos vídeos, recomendo ver o histórico de postagens dela. Com certeza você vai achar algo que te interessa bastante.

Foi super difícil, mas são esses aí. Acompanho mais outros vários que acho bem legais, mas peguei os principais para não deixar a lista gigante. Se for o caso, posso fazer uma outra listinha.

E agora declaro oficialmente aberta a temporada de falar mais sobre o Canadá. S2

 

 

 

Como é a inscrição para bolsas de doutorado sanduíche (via CNPQ)

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Como eu mencionei previamente, o CNPQ não funciona em fluxo contínuo. São três chamadas por ano.

Você pode acompanhar os editais no site do CNPQ.

Esse é o Cronograma atual:

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Assim, você junta os documentos necessários e dentro das datas propostas se inscreve. Você precisa de:

  • Carta de anuência da sua Universidade
  • Carta de anuência da sua orientadora
  • Carta de aceite da Universidade de destino
  • Carta de aceite do professor que será seu orientador fora do Brasil
  • Carta do seu orientador fora do Brasil ou da Universidade ou Teste de Proficiência alegando que você tem domínio da Língua de destino (Até o pessoal que vai pra Portugal precisa dessa carta, acreditem se quiser)
  • Currículo do professor fora do Brasil
  • Projeto de pesquisa do doutorado sanduíche
  • Preencher o formulário do Site (com a área do seu trabalho, nome do seu professor, seu lattes, etc.

Daí você anexa tudo por lá e espera o resultado no site.

 

 

Como é a inscrição para bolsas de doutorado sanduíche (via Capes)

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Vamos por partes, vamos em listas.

Inscrição via Capes, PSDE:

O PDSE é um programa institucional da CAPES com o objetivo de qualificar recursos humanos de alto nível por meio da concessão de cotas de bolsas de doutorado sanduíche às Instituições de Ensino Superior brasileiras (IES) que possuam curso de doutorado recomendado e reconhecido com nota igual ou superior a 3. (Fonte: site Capes)

Traduzindo: aquilo que eu contei antes nos primeiros posts do blog. O processo segue esse lindo infográfico da própria Capes:

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Passos:

  1.  Você comunica o seu curso do seu interesse.

Documentos necessários (sempre confira com o seu curso):

  • Plano de pesquisa no exterior, aprovado pelo orientador brasileiro e coorientador no exterior, constando o cronograma das atividades
  • Currículo Lattes atualizado
  • Carta do orientador brasileiro justificando a necessidade do estágio, demonstrando interação ou relacionamento técnico científico com o coorientador no exterior e declarando que o aluno possui a proficiência necessária na língua estrangeira
  • Carta do coorientador no exterior aprovando o plano de pesquisa, informando o período do estágio e declarando que o aluno possui a proficiência necessária na língua estrangeira
  • Currículo do Orientador fora do Brasil

2. Seu curso segue a forma de seleção que está estabelecida internamente (pontuação, quem chegou primeiro, palitinho, cada um tem o seu processo de seleção)

3. Quando o curso te selecionou, você/curso (depende da instituição) encaminha o pedido para a pró-reitoria.

Documentos necessários:

  • Todos apresentados anteriormente
  • Termo de Seleção de Candidaturas do PDSE com o parecer do consultor externo (no qual o seu curso afirma ter selecionado você)

4. Com o cadastro feito pela sua instituição, você tem acesso ao sistema e poderá:

  • Preencher os dados no sistema (dados pessoais e outras informações do doutorado) no formulário de inscrição

Daí, reza a lenda, depois de dois meses para menos o seu pedido era homologado. Mas bem, como eu citei antes, as coisas não estão funcionando atualmente. Ainda assim, para ver certinho como funciona o programa PSDE e o CSF, você pode acessar a portaria completa esta aqui.

 

 

 

Como obter a Carta de Aceite da Universidade Canadense (UBC)

 

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Bom, até agora contei minha saga em busca do doutorado sanduíche. Pois, então, depois do aceite da orientadora, ela faz uma carta comunicando que está de convidando para fazer o sanduíche na universidadechecklist.jpgNesta carta consta a sua data de visita, o propósito da mesma, de onde você vem e onde você vai atuar na universidade de destino. A professora fala sobre você e o trabalho dela e voilá.

No meu caso, a professora encaminhou a carta em um email para a secretaria de estudantes internacionais da UBC.Ela explicou que me receberia e pediu para que eles explicassem o processo para mim.

Na UBC é assim: eles pedem para você preencher um formulário de aceite, que é um documento de “visitor student/scholar”. Tem que preencher tudo e depois conseguir a assinatura de confirmação da sua coordenadora e de sua orientadora no Brasil. Também são necessárias as assinaturas da coordenadora e da orientadora na UBC. No meu caso, o próprio departamento foi kind enough para conseguir as assinaturas por lá, sem eu ter que interferir. Importante: é tudo digital. Nada de documento pelo correio. Foi “só” preencher, pegar as assinaturas, escanear e enviar por email. Lá eles imprimiram, pegaram as assinaturas que faltavam e inseriram meu processo no sistema.

Com isso pronto, tive que preencher mais algumas coisas em um acesso especial no site, liberado após a primeira ficha. Depois, tive que esperar uma guia para o pagamento de um boleto. Esse boleto foi gerado depois que todos os dados do meu processo foram verificados. Demorou dois dias – a partir do preenchimento no site – para o boleto ser gerado no meu caso. Daí eu paguei ele aqui no Brasil (no meu cartão de crédito mesmo). A partir do momento que o pagamento caí, eles avaliam a tua inscrição oficialmente.

10 dias depois (acho que úteis) chegou no meu email a carta oficial de aceite da Universidade. Ao todo o processo demorou cerca de 45 dias (vale observar que só na minha Universidade demorou mais de duas semanas para eu conseguir as assinaturas necessárias).

No caso da UBC, eles só emitem esse documento mediante o pagamento da avaliação do pedido. Essa carta é fundamental para entrar com pedido de bolsa. Todas as agências de fomento pedem uma carta de aceite da Professora e outra da Universidade) A carta também é a prova que eu tenho para o pedido do visto de estudante para o Canadá.

No entanto, na maioria das Universidades, o processo não é assim. Nas americanas, por exemplo, a maioria emite a carta de aceite da instituição logo a seguir que a professora aceita o aluno. Depois, quando o aluno consegue a bolsa, ele entra em contato para conseguir um documento específico que pedem na hora de tirar o visto  – esse sim quase sempre é acompanhado por uma taxa.

A maioria das universidades canadenses também não cobra na taxa na carta de aceite, algumas cobram na hora de emitir uma carta pro visto. Na UBC é só uma carta, paga já no início. Não são documentos diferentes.

Ouvi falar de universidades que pedem prova de proficiência antes de emitir o aceite. No meu caso, não foi necessário. Meu mestrado foi em língua inglesa no Brasil, me formei no curso de inglês com 13 anos, dei aula de inglês dos 16 aos 21 e morei nos Estados Unidos por dois anos quando eu era criança. Nem precisei entrar em muitos detalhes, só pela conversa a minha orientadora já comunicou a minha proficiência. Mas cada caso é um caso.

Encerro aqui a minha experiência com a carta de aceite. Sempre que recordo da sensação de ter recebido essa carta, lembro daquela música breguíssima “Why do birds suddenly appear, everytime, you are near”. Música de felicidade, in love. S2. Quando meu visto chegar, tenho certeza que vai ser essa mesma sensação over and over.

No próximo capítulo eu falo sobre a inscrição no edital da Capes/CNPQ.

E o Canadá entrou na minha vida… S2

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Para quem veio direto para cá, explico nos últimos dois posts (Como escolher uma instituição e um professor fora do Brasil e Como entrar em contato) como cheguei nesse ponto. Foi uma longa jornada.

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Desde que a professora tinha me dado um YES eu comecei a procurar blogs e vlogs sobre a vida fora. Queria saber dos custos, do dia a dia, tava super curiosa. Afinal, doutorado sanduíche era algo que eu planejava desde 2010, imagina a ansiosidade da pessoa?

Sempre que via os vlogs dos Eua, recebia indicações para ver vlogs do Canadá. Eu já morei nos EUA e já visitei o Canadá. Fui para Toronto na minha lua de mel. Sim, eu amo o frio. Nunca pensei que o Canadá fosse tão maravilhoso, cheio de diversidade, abundante na educação… Na época fomos por achar uma passagem na promoção. O fato é que nos apaixonamos. Tanto que na época vi que tinha uma oportunidade em uma universidade lá e tentei uma vaga de professora! (bem ridícula assim).

Não deu certo, óbvio. Eu tinha acabado de ser aceita no doutorado, nem tinha começado a cursar ainda. Voltamos para o Brasil com uma sensação de “um dia a gente volta para ficar”. Isso sempre ficou na minha cabeça, mas como o meu projeto tinha uma série dos EUA eu não fiz a ligação de que eu poderia ir para outro lugar. Até dar tudo errado com a Mary e eu começar a questionar o todo. Nesse momento, assistindo um vlog do Canadá, pensei – tá, mas pq eu não tento o Canadá?

Muitas séries e filmes que se passam nos EUA são produzidos no Canadá. Os estudos do Canadá são excelentes…. A ficha caiu e no mesmo momento voltei para a minha lista de artigos relacionados ao meu trabalho. Lá tinha uma professora, que eu lembrei não ter buscado mais por descobrir que ela estava no Canadá. Cheguei até ela por um artigo que ela tinha escrito quando trabalhava na Universidade da California. Me empolguei horrores. Ela era a primeiríssima da minha primeira lista até eu descobrir que ela tava atualmente no Canadá.

Não hesitei. Entrei em contato. A linda me respondeu no mesmo dia! Foi maravilhosa, adorou minha pesquisa, elogiou meu curículo – impressionante como o pessoal de fora reconhece os seus feitos de uma forma que aqui no Brasil é raro! (mas isso é tema para um outro post). Ela topou de cara trabalhar comigo, falou sobre a história dela de pesquisa relacionada a minha. E assim, fechamos a minha ida. Ela me direcionou para o departamento de estudantes internacionais da UBC e… isso é tema para um próximo posto =)

 

 

 

 

 

 

Como entrar em contato com uma instituição e um professor fora do Brasil?

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Continuando a minha saga…

Passou uma semana e nada do professor que eu escolhi me responder. Até me questionei se ele era tão “presente” como tinham me falado… Enviei um outro email para ele, pedindo desculpas pela insistência (tratar pessoas com educação nunca é demais!) e falando que eu tinha um prazo para definir o meu orientador e se fosse possível, precisava da resposta dele o quanto antes.

O professor realmente era um cara excepcional. Ele me respondeu com toda gentileza, super interessado no meu trabalho, querendo me receber na sua universidade. Mas tinha um grande porém… Ele me relatou que estava com um problema de saúde muito grave, tinha acabado de receber o diagnóstico e era possível que ele tivesse um tratamento que exigisse muito dele e que provavelmente ele não estaria ao meu lado como gostaria. Fiquei super em choque, me comovi muito… Confesso que fiquei um dia todo pensando no que fazer, se aceitava ou não.

No fim, optei por não trabalhar com ele por compreender que eu atrapalharia o tratamento e de forma alguma eu queria fazer isso. Tentei me colocar na situação dele e achei que ter uma orientanda naquela hora seria muito inconveniente.E foi assim que desisti de trabalhar com o primeiro professor que eu entrei em contato.

No dia seguinte enviei um email para aquela professora fodástica que eu queria trabalhar. Pensei – que saber? Vou tentar. YOLO. Para minha surpresa ela me respondeu um dia depois, dizendo que tinha interesse em trabalhar comigo e que queria saber mais sobre o meu trabalho. Dei pulinhos. Anexei meu plano de trabalho e enviei para ela.

Aqui entra um porém – você pode estar se perguntando, como é um plano de trabalho? O meu foi bem simples.  Tentei ser super breve e coloquei os seguintes campos

  • Scholar (meu nome)

  • Period (o período proposto para a minha pesquisa)

  • Dissertation Title ( o título da minha tese – Olha a pegadinha: em inglês thesis é de mestrado e dissertation é de doutorado!)

  • Plan of Activities (expliquei o que eu pretendia fazer por lá, pq eu queria ir, etc)

  • Objectives (não apenas os objetivos do trabalho, mas o de fazer sanduíche)

  • Timetable

Mandei essa proposta e um resumo do meu projeto em inglês. Vale dizer aqui que o meu projeto original do doutorado tem 40 páginas e o que eu mandei para ela tinha quatro – Objetividade nesse caso é fundamental!

A professora me respondeu no dia seguinte, elogiando meu trabalho, elogiando meu currículo, dizendo que estaria muito feliz de trabalhar comigo… Foi um verdadeiro sonho! Ela foi só elogios, senti que ela realmente queria trabalhar comigo e fiquei impressionada com uma pessoa com o currículo dela me achar interessante assim!

Ficamos de nos falar mais para a frente, onde eu enviaria mais detalhes sobre a carta de aceite que eu precisava dela e da universidade. Quando eu peguei os detalhes com o secretário do meu curso ( e tb no site da Capes) enviei para ela. Daí entrou o problema – a Universidade em questão não trabalhava com a nomenclatura de Doutorado Sanduíche e ela ainda precisava ser colocada oficialmente como minha co-orientadora em co-tutela. No meu departamento esse não era um procedimento comum. Entre o vai e vem de informações, tive que fazer um pedido para a minha coordenadora levar ao colegiado para ver se seria possível realizar tal tarefa (mais burocracia impossível).

Nesse meio tempo de esperar respostas do meu departamento, comecei a questionar toda a burocracia que eu estava enfrentando. Comecei a ter umas crises, pensar sobre o meu futuro como professora, pesquisadora, sobre o que eu queria realmente. A professora americana era uma querida, mas vivia perguntando sobre novidades e eu não tinha uma sequer para passar para ela. Comecei a ficar muito incomodada com a situação, ela lá, super prestativa, e eu aqui, enrolando e enrolando pq meu departamento não me dava respostas. Resolvi explicar para ela que o procedimento não era comum no meu departamento e infelizmente eu teria que negar o aceite/convite. Foi muito difícil fazer isso. Mas hoje penso que as coisas ocorrem sempre por algum motivo, pois foi no meio desse tsunami que o Canadá reapareceu na minha vida. (!)