Como foi a compra da passagem para o Canadá

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Bem, depois das dicas do último post, conto um pouco como foi nosso caso.

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Vamos viajar em agosto. Agosto é mês de olimpíadas. Daí já imaginou, né… Há uns dois meses eu tenho acompanhado os preços aumentarem e em poucas vezes eu vi promoções dentro da semana que a gente queria embarcar. Relembro que comecei a ver passagens há uns bons sete meses. Claro que quanto mais perto chegava, mais frequentemente eu fui vendo. Comecei muito antes porque queria ter uma noção média dos preços para poder saber se estava pagando muito ou pouco.

A princípio queríamos viajar via Air Canada, mas percebemos que era a companhia mais cara. Raramente eu vi promoções via AC. Na realidade, raramente eu via ofertas para Vancouver por qualquer companhia. A promoção  que mencionei no último post, Navegantes-Vancouver-Navegantes por R$1.700 com taxas era parte operada pela aeromexico, com várias paradas (eram 4) operadas por companhias diferentes (total de 48h de viagem).

Acompanhando os preços nesse tempo percebi que comprar ida e volta em 95% dos casos é mais barato. No entanto, isso não é regra. Tanto que nosso caso foi exceção.

É bom destacar que iríamos descartar a volta de qualquer jeito (não vendem passagem de ida e volta para períodos superiores ou igual a onze meses).

Semana passada encontrei uma passagem só de ida saindo de Floripa por R$1.950 (sem taxas). Era ainda melhor do que comprar ida e volta, afinal, a gente só paga as taxas de ida. A viagem é pela Delta, uma companhia super bem avaliada. O trajeto é FLN-GRU-JFK-LAX-YVR. O total da viagem dá cerca de 33 horas, relativamente bom para o que já havíamos visto em promoção.

Confesso que minha maior preocupação é o trecho de Nova York a Los Angeles. Há uma escala com duas horas de duração, contudo, na compra indicava que não há troca de aeronave. Ou seja, descemos, passamos pela imigração americana e voltamos para o mesmo avião, nos mesmos assentos, sem precisar reembarcar. Pelo menos foi o que eu entendi, espero que seja assim mesmo.

Por fim, quero falar sobre como é comprar a passagem sem o visto. Sabemos que ele não saiu ainda, então foi algo que conversamos bem. Acreditamos que tudo está muito bem encaminhado, daí então resolvemos nos antecipar. Não recomendo que ninguém faça isso, a não ser que decidam tão cuidadosamente quanto nós decidimos. No nosso caso, na hora que compramos a passagem faltava mais de três meses pra viagem, já tinha dado tudo certo nos exames, sem contar que o pedido dos procedimentos médicos chegou super rápido, um ótimo sinal. Assim, depois de colocar numa balança, decidimos aproveitar antes  que essa promoção não existisse mais e a gente tivesse que pagar o dobro pelas nossas passagens.

Comprei pela Decolar.com, em seis vezes sem juros. Lembro que a Decolar cobra uma taxa de serviço. Recomendo sempre conferir antes no googleflights e no site da companhia em questão se há preços mais baratos. No site da Delta a mesma passagem tava mais do que o dobro do preço. Mais um motivo para comprar logo =D

Falei no último post, mas reitero aqui novamente minha péssima experiência: NÃO COMPREM NA SUBMARINO VIAGENS. Sério. Leia aqui e de uma passada no Reclame Aqui e veja quantas pessoas (eu entre elas) já foram enganadas com o serviço horrível que eles prestam. A decolar pode não ser perfeita, mas é infinitamente melhor.

 

 

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Dicas para comprar a sua passagem aérea para o Canadá!

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Tenho uma confissão: eu não segui meu calendário de planejamento!! Comprei as passagens antes do prazo. Na minha defesa, era uma super oferta. Ainda assim, foi tudo bem planejado. Vou explicar aqui como analisamos tudo para fazer essa decisão.

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Primeiro, vamos por parte. Antes de falar no nosso caso, falo sobre o que você deve atentar na hora de comprar a passagem:

Preço: Quase sempre as passagens saindo de São Paulo e do Rio são mais Captura de tela 2016-04-29 às 23.32.42baratas. Contudo é importante que avaliar certinho se compensa comprar trechos separados. Se você comprar uma passagem separada até essas cidades, provavelmente você terá que pagar excesso de bagagem, já que a franquia internacional (2 malas de 32kls) não se aplica em trechos nacionais (1 de 23 kl). Calcule bem se vale a pena (todos os casos que eu fiz as contas, não valia).

A média de preços saindo de Santa Catarina para Vancouver (por Florianópolis ou por Navegantes), ida e volta, é em torno de R$3.800 (sem taxas) para vôos com até 42 horas de duração. Por Joinville estava ainda mais caro, vi preços mínimos de R$6 mil! Acompanhando todo esse tempo, vi que em fevereiro os preços estavam no máximo 200 reais mais baratos. Antes disso estavam o mesmo preço de agora. Em alguns casos, o trecho só de ida estava mais barato, custando uma média de R$3.400

Há um mês atrás achei a melhor promoção que eu vi em sete meses olhando frequentemente os preços: R$1.700, com taxas, ida e volta saindo de Navegantes. Não compramos porque era muito cedo. A tal promoção, saindo de São Paulo, tinha cinco escalas com três Cias diferentes operando os trechos.

Tempo da Viagem: O ideal seria que a viagem durasse o mínimo que pode durar. Mas não é Captura de tela 2016-04-29 às 23.35.46bem assim. Para conseguir um preço melhor, muitas vezes você vai ter que fazer mais escalas. Sem contar que se você não é sortudo de morar em uma cidade que tenha vôo pros EUA ou pro Canadá, você ainda conta com aquela linda escala doméstica, que pode ser de 12 horas. Aqui nós sabíamos que mesmo se a gente fosse pegar a passagem mais cara com menos escalas, não iríamos encontrar nada com menos de 24h de vôo. É só calcular pelo trecho mais rápido, com apenas uma imigração.

  • 1 hora de SC a SP
  • 11 horas de SP a Toronto
  • 5 horas de Toronto a Vancouver

São 16 horas de vôo. Coloque mais as horas de conexão e a imigração aí no meio e temos um dia na estrada no mínimo. Na verdade, qualquer coisa abaixo de 36h é lucro quando se está procurando uma passagem barata, para ser sincera.

Conexões: Evite trocas de aeroporto! Fique bem atento a isso. Já passei por casos de viagens que me deram 2h30 entre um vôo e outro. O problema? Tinha que sair de Congonhas – meu vôo chegava às 18h-  e ir para Guarulhos – meu vôo saía às 20h30. Não dava nem o tempo que eles pedem para chegar antes de embarcar, imagina se eu conseguiria atravessar São Paulo, às 18h, em menos de 30 minutos para conseguir embarcar. Nunca!

Então, evite complicações que podem aparecer no futuro. Sempre pegue vôos que você no máximo vai trocar de aeronave.

Tempo de migração: Me assustei com as diversas conexões feitas dentro dos EUA e do Canadá que possuem menos de uma hora e meia entre o tempo em que a pessoa desce e embarca. Por exemplo, vi uma conexão que você sai do Brasil e chega em Nova York. De lá, o próximo vôo saía em uma hora e dez minutos para Vancouver – ou seja, 70 minutos para  desembarcar, passar pela imigração americana e correr para embarcar no próximo avião. Meio impossível, né?  Bem, eu não confio muito nisso, não… Acho super arriscado. Talvez seja neurose, mas acho que duas horas de intervalo entre um vôo e o outro é o mínimo para você fazer tudo “tranquilamente”.

Não esqueça que se for passar pelos EUA você precisa de visto!

No próximo post eu falo como foi o nosso caso.

PS: Dica de amiga, NUNCA COMPRE SUBMARINO VIAGENS! Me incomodei horrores com submarino! Eles fizeram uma cobrança indevida e nunca me ressarciram. Sem contar que o sistema deles na maioria absoluta das vezes não permite você marcar seu acento em vôo internacional. Daí o que acontece? Se você viaja em dupla (ou mais) você pode até estar no início da fila do check-in, mas dificilmente vai conseguir lugares juntos. Hoje em dia todo mundo marca antes e só você vai ficar para marcar na hora.

Digo por experiência. Comprei pelo Submarino uma viagem para Las Vegas, era uma super promoção e fui reencaminhada pelo site Melhores Destinos. Não apenas o valor cobrado foi diferente do combinado, mas tive que viajar todos os trechos separada do meu marido. Como tenho medinho de avião, foi horrível! Não recomendo mesmo. Além de ser “roubada”, não marcarem meu lugar, ainda tive um atendimento péssimo por parte da empresa.

Levando o marido ou a esposa para o doutorado fora do Brasil

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Sou da opinião que um casal é um time. Muitas vezes nós colocamos nossas vontades em segundo plano para seguir um outro planejamento dentro de uma relação. Não estou aqui como um blog de autoajuda, que vai falar sobre relacionamentos e concessões. Acredito que a dinâmica de cada casal é diferente e “cagar regra” sobre o certo e o errado não me apetece.

couple-movingAqui em casa meu companheiro viu de perto a minha rota se desviar para o caminho da academia. Quando a gente se conheceu eu não tinha intenção nenhuma de virar professora universitária ou pesquisadora. Foi algo que eu descobri depois de algum tempo no mercado de trabalho convencional.

Ele me ajudou muito no processo, sempre me motivando. No momento em que eu decidi fazer a prova para entrar no mestrado ele já sabia que eu tinha intenção futura de crescer dentro do meio acadêmico, de virar doutora. Ele sabia da minha vontade de passar um ano fora do Brasil. Com a minha aprovação no curso, foi apenas uma questão de planejamento, de alinhar as nossas vidas para que, na hora que a viagem aparecesse, nós dois pudéssemos entrar de cabeça nisso.

Assim o time aqui de casa seguiu durante anos e anos até chegar 2016. O planejamento foi nosso, A + B. Meu marido é cinesta e ele criou ao longo dos últimos anos a possibilidade de trabalhar a distância. Algo que sem o planejamento de seis anos, talvez ele não conseguisse fazer.

Eu tenho perfeita noção das coisas que ele teve (e terá) que deixar para me acompanhar no que era meu sonho. O bonito é que por aqui, meu sonho se transformou no nosso sonho que agora é o sonho dele também. Sou muito agradecida por ele fazer parte disso e tenho certeza que essa experiência será única para ele também.

Acompanhei ao longo dos anos algumas colegas que sofreram com o marido que não queria deixar “a vida pra trás” para acompanhar a mulher, mas que se fosse a situação inversa com certeza exigiriam que elas fossem. Não vou nem entrar nesse ABSURDO. Relacionamentos que não identificam ambas as partes com a mesma parcela de participação, pra mim, possuem um grande problema de disparidade. É 50/50, um cooperando com o outro. Fico triste de ver uma pessoa sendo ignorada em uma escolha tão importante.

Sugiro que sempre mantenha a sua parceira/o por dentro do que está acontecendo, falem de lugares, funções que ela/ele podem desempenhar no lugar novo, planos, objetivos, o que a viagem pode trazer de bom e de ruim. Conversar é fundamental para tudo ser bem esclarecido e ninguém ficar com a impressão que um tem mais poder na relação e o outro é mais submisso.

Lógico que não é fácil deixar tudo para trás de um dia para o outro. Emprego, concurso, família, carreira. Mais uma vez o planejamento aparece como peça fundamental para o sucesso: não vai ser fácil, mas vai valer a pena.

 

Dedico esse post ao meu companheiro… sempre ao meu lado lutando contra os dragões que aparecem e celebrando a cada vitória árdua. S2

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Como é levar a família para morar fora do país – filhos adolescentes!

 

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Bem, todo mundo sabe que lidar com adolescente pode ser um pouco complicado. Eu não fui uma garota muito problemática, mas lembro que quando meus pais me falaram que a gente ia passar um ano fora eu fui bem chata com eles.

Eu estava prestes a fazer 14 anos, naquela idade onde amizade é tudo na vida da pessoa. Minha vida social tava começando a existir, eu tinha uma banda, a última coisa que eu queria era sair do meu ciclo. Reclamei, mas não tinha muita opção.

O fato de eu já ser fluente em inglês facilitou muito a minha vida ( e a dos meus pais). Imagino que nessa idade, ir para um lugar que você não consegue se comunicar, deve ser bem mais complicado do que quando eu fui aos 9 anos. São fases muito diferentes.

Existe bulling nas escolas americanas? Na minha época existiu e não era igual o daqui. Não sei se é pelo fato de eu ter estudado na mesma escola da primeira série ao terceirão no Brasil, mas lá eu senti umas coisas diferentes. Não era por ser estrangeira, por incrível que pareça. A maioria do problema que senti foi por ser menina, ter mudado de colégio e os meninos terem “se empolgado”com a novidade. Algumas meninas me tratavam muito mal, ficavam fazendo piada das minhas roupas, da minha aparência, enquanto alguns meninos eram insistentes e faziam umas gracinhas abusivas ao ponto de eu reclamar para diretoria. Mas tudo isso durou menos de um mês.

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Na primeira semana eu não almocei no banheiro, como aqueles filmes de high school mostram os excluídos fazendo. Mas eu também não almocei no refeitório. Fiquei na sala de música. Fui para o refeitório quando recebi um convite de uma colega que me chamou para sentar na mesa que ela e suas amigas sentavam. E assim começaram algumas amizades que tenho até hoje.

Se fosse possível  voltar no tempo e conversar comigo mesma, eu diria as seguintes coisas:

  • Essa é uma experiência única, de conhecer lugares, situações, um mundo muito diferente do seu! Aproveite MUITO porque quando você ficar velha vai pensar em tudo que poderia ter feito e não fez. Se joga!
  • Pensa em como você vai falar inglês bem depois de tudo isso? Sempre que você viajar não vai ter problemas para se comunicar! Vai ser bom pra escola, faculdade, trabalho…
  • Abra sua cabeça para novas experiências e seu coração para novas amizades. Suas amigas no Brasil vão continuar sendo suas amigas e nesse novo lugar você poderá fazer amizades tão importantes quanto as suas antigas. O coração é grande cabe todo mundo S2.

Essa seria eu, com 31, falando com a Fernanda de 13.

Resumindo, what doesn’t kill you makes you stronger. Com certeza seu teen vai sair muito melhor depois da experiência. Experiência própria 😉

Para ler as dicas de viajar com crianças, veja neste post.

 

 

 

Como é levar a família para morar fora do país – Filhos pequenos (parte 2)

Bem, continuando o último post, falo de aspectos mais específicos sobre morar fora do Brasil aos 9 e 10 anos.

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Seria até idiota eu explicar aqui que meu inglês provavelmente nunca seria o que é sem essa experiência.  Resolvi trazer alguns dados mais oficiais sobre aprendizagem de uma segunda língua na infância.

Quando fiz mestrado em Literatura Inglesa na UFSC, tivemos algumas aulas sobre fonética e aprendizado de um outro idioma. Nas aulas ficaram claras as diferenças que eu já sentia na pele: aprender inglês (ou outra língua) através de imersão (morando no local da língua),  quando se é criança faz com que sua experiência de aprendizado seja completamente diferente de aprender inglês adulto ou em algum cursinho no Brasil.

É comprovado cientificamente que p cérebro de alguém que aprendeu outra língua por imersão quando criança funciona de forma diferente. Crianças bilíngues conseguem raciocinar mais rápido, ter uma compreensão mais complexa de acontecimentos e teorias.

Durante o mestrado aprendi que entre as grandes consequências deste aprendizado está a forma com que a criança  consegue desenvolver a sua compreensão para fonemas que não existem na sua língua mãe. Ainda quando cresce, a pessoa que é bilíngue desde criança tem um ouvido capaz de captar sons que os adultos sem esta fluência não são capazes. Tô tentando resumir aqui uma teoria bem complexa…. mas basicamente, todo o nosso funcionamento -seja em raciocínio lógico ou a fala em geral – é alterado.

Um exemplo: algumas pessoas não falam think, falam fink. Não é porque a pessoa é burra ou surda. É porque ela não consegue distinguir a diferença de FIN para THIN. Assim ocorre no aprendizado de diversas línguas ou outras palavras como world, beach, tough, etc.

Uma criança que aprendeu outra língua na infância, mesmo quando adulta, terá facilidades para aprender novas linguagens e novos fonemas por ter o funcionamento do cérebro alterado. Ou seja, a imersão, com certeza absoluta, será ótima para sua filha/o.

Tirando todo esse aspecto, bem, eu comecei a dar aula de inglês aos 15, 16 anos. Amo música, nem preciso falar sobre livros, filmes e séries. Honestamente, não lembro da última vez que não consegui entender o contexto geral do que ocorre. É claro que alguns sotaques, algumas gírias e até algumas palavras fogem do meu entendimento. Mas raramente preciso procurar um dicionário para me tirar dúvidas.

Várias pessoas me falam que eu não tenho sotaque. Não acredito nisso, eu tenho sim. Uma ou outra palavra entrega. Mas já tive algumas amigas americanas e de outras nacionalidades que não acreditaram que eu era brasileira. Teve um caso de uma amiga minha, que conheci na adolescência na Virginia, que só depois de um ano convivendo comigo soube que eu era do Brasil. Ela me disse, “pensei que você fosse de um daqueles estados lá do meio, onde as pessoas falam umas palavras meio estranho.”.

Sobre educação em geral: A escola dos EUA também me ajudou muito. Criei um hábito de leitura que minha escola não cultivava no Brasil. Duas ou três vezes por semana, a gente tinha uma aula de leitura. Eram 40 minutos onde cada um pegava um livro na biblioteca – ou trazia de casa – e lia. Eu chegava a ler um livro de 150, 200 páginas por semana. Nada mal para uma criança de 9/10 anos. As outras matérias também eram muito legais. Como eu era cdf e a matemática deles é meio atrasada em relação a nossa, eu tirava 100 em todos os testes praticamente.

Sobre alimentação: Todas as porcarias que eu não comia no Brasil eu tive acesso nos EUA. Aqui eu nunca tinha comido no McDonalds. Lá, eu comia uma vez por semana. Eu tomava café da manha e almoçava no colégio e, como vocês devem saber, a comida das escolas por lá não é muito saudável (imagina nos anos 90, antes do politicamente correto). Engordei pra caramba. Quando cheguei no Brasil minha mãe me levou em uma pediatra. Ela mandou eu emagrecer e em três meses eu já estava no meu peso normal. Pra mim, valeu a pena! Minhas memórias comendo doce do dia das bruxas, sorvetes, batata frita, nunca serão esquecidas! #gordita

Sobre saúde: Nunca tive nenhuma doença no Brasil, mas peguei catapora nos EUA. Teve um surto no meu colégio e eu fui premiada, bem na semana em que haveria uma viagem. Não fui na roadtrip, chorei horrores, mas ganhei presentinho de todos os meus colegas. Eles eram bem educadinhos S2.

Sobre português: Esqueci algumas palavras em português e quando eu cheguei no Brasil fui altamente zoada por falar com sotaque gringo. Juro que não era intencional. Depois de umas duas semanas tudo voltou ao normal, foi só no começo mesmo. Se você vir alguma criança fizer isso, não brigue ou fique zoando ela, é bem chato. Lembro que eu me senti super mal, ficavam falando que eu tava “me achando”. Pelo amor de Deus, né… eu tinha 10 anos, a última coisa que eu queria era ser diferente. Ignorância é foda.

Sobre hoje: Fiz mestrado todo em inglês, sem nunca ter pisado em uma aula de letras inglês. Já lecionei, entrevistei, fui entrevistada, escrevi textos, artigos, dissertações, matérias jornalísticas, traduzi filmes… Tudo sem problema algum. Ainda assim, confesso que toda a vez que eu viajo para fora sempre sinto um baque inicial. Não é dificuldade em falar ou entender, mas é aquele medinho de falar alguma coisa errada. Depois de uns dois dias eu entro no automático total, mas não deixo de me cobrar para falar perfeitamente o tempo todo. Sinto saudade de não ligar para nada, aquele senso de liberdade que a criança tem quando aprende algo.

Não canso de enfatizar que  se você tiver uma oportunidade, leve sua filha/o para fora. Eu, com toda a certeza do mundo, vou fazer de tudo para dar para a minha futura filha/o essa oportunidade.

O que eu trouxe aqui foi uma visão um pouco diferente do que as mães estão acostumadas a ler quando procuram sobre morar fora com os filhos. Não posso informar detalhes sobre, creche, escola, comida, viagem com bebê, por não ter essa experiência.

Para cobrir essa parte, finalizo com dois canais de youtube bem legais que falam sobre uma perspectiva familiar:

No Canadá, O Fala Maluca tem duas mães super dedicadas e muito descontraídas falando sobre maternidade e morar fora do país. É muito bom o canal, inclusive para quem não tem filhos.

Tem um clássico que algumas de vocês já podem ter ouvido falar, o canal da Flávia Calina. A história dela é muito legal, ela mora nos EUA. Vale a pena conferir, ela fala muito sobre educação dos pequenos também.

Espero ter ajudado e até o próximo post – onde eu falo de filhos adolescentes!

Como é levar a família para morar fora do país – Filhos pequenos (parte 1)

Resolvi iniciar uma nova série por aqui que pode ajudar algumas mamães e papais que ficam com medo de morar fora do Brasil com seus filhos.

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Primeiramente, eu não tenho filhos. Mas eu fui a criança que morou fora durante o doutorado sanduíche do meu pai. Posso garantir que hoje minha vida seria MUITO diferente se eles não tivessem tido a coragem de, lá em 1994, passar um ano nos Estados Unidos.

Fomos para o estado da Virginia em 1994, quando eu tinha 9 anos de idade. Naquela época as coisas eram bem complicadas financeiramente para muitas famílias, para a minha foi um período bem difícil de equilibrar as contas. Lá em casa não existia a opção de realizar atividades fora da escola pública na qual eu estudava. E, nos anos 90, pelo menos na cidade onde eu morava, não era comum crianças estudarem línguas estrangeiras no ensino fundamental.

Contei isso tudo para contextualizar que eu viajei sem saber uma palavra em inglês. Na verdade eu sabia uma frase que decorei “My name miss Fernanda”. Nada de verbo to be. Eu achava que miss era de miss, tipo miss Brasil. Falava super feliz, achando que era um elogio ser chamada de miss. Para ter noção do nível do meu “domínio” de inglês.

Cheguei no mês de dezembro, tinha acabado a terceira série por aqui (equivalente a quarta série hoje em dia). Meu pai me matriculou na escola americana e na mesma semana em que eu cheguei comecei às aulas regularmente. Como eu tinha um ótimo desempenho aqui no Brasil, me permitiram entrar na metade da quarta série (as aulas no hemisfério norte começam em agosto e eu cheguei em dezembro). Mesmo eu tendo acabado de terminar a terceira no Brasil e sem falar inglês, pulei metade da quarta série.

Eu realmente não sabia falar nada. Lembro de gesticular para a professora na primeira semana em um dia que eu queria fazer xixi e precisava ir no banheiro. Lembro dos meus colegas falando coisas que eu não entendia e como era minha tentativa constante de me comunicar com eles. Lembro de um dia, provavelmente uma ou duas semanas depois de eu ter começado às aulas, em que eu fiz uma tarefa em que eu tinha que escrever todas as palavras em inglês que eu sabia. Fui correndo mostrar a atividade para o meu pai, eu tinha escrito umas 50 palavras. Lembro dele me falando “É, filha. Você vai precisar estudar muito ainda”.

Nenhuma destas recordações me traz medo, insatisfação, vergonha. Eu sempre lembro disso com o maior orgulho, com uma felicidade imensa. Lembro como foi desafiador, como eu me sentia realizada cada vez que eu conseguia entender uma palavra.

eu e duda(Eu e meu irmão visitando a Casa Branca. Eu, aos 10, já com uma câmera na mão.)

Aos poucos meu vocabulário foi crescendo, minha fala foi se desenvolvendo.No dia em que celebramos meu aniversário na escola, com cerca de três meses de sala de aula, eu comecei a falar tanto que a professora teve que pedir para eu ficar quieta. Acho que ali eu me dei conta que eu não sentia mais dificuldade em falar com ninguém, eu já tinha dominado a língua.

É claro que provavelmente eu falava verbo errado, conjugações ruins, enfim. Mas eu me comunicava sem problema algum e diferente de nós adultos, que ficamos com vergonha de falar algo errado, quando somos criança estamos pouco nos lixando para erros. Eu lembro que eu queria é falar. Recordo de como conseguir a fluência em inglês foi uma conquista. Aos poucos eu fui falando melhor e tirando notas mais altas em inglês.

Quando voltamos para o Brasil, eu já estava na metade da quinta série estadunidense. Voltei, tive férias e cursei o começo da quinta. Como meus pais ouviram muitos relatos de crianças que depois de aprender inglês fora voltaram ao Brasil  e ao se afastarem da língua gringa  acabaram esquecendo muita coisa, eles suaram a camisa e conseguiram pagar um curso de inglês para mim. Como eu já falava muito bem, pulei todas as fases infantis (na época crianças até 13 anos cursavam essas turmas). Eu fui para o final do nível intermediário de adultos. Meus colegas eram quase todos 10 anos mais velhos que eu (eu com 11 e a galera na casa dos 20).

Em pouco mais de dois anos eu me formei em inglês, aos 13. Na época, em 1998, eu fui a pessoa mais jovem do Fisk (escola que eu cursava) a me formar por lá. Provavelmente alguém já derrubou meu recorde, mas na época do ocorrido era um super orgulho.

Nos próximos posts eu conto mais sobre fatos de morar quando criança fora do país e também falo sobre como é morar adolescente (meu pai foi fazer pós doc e lá fomos nós novamente para os EUA).

 

 

 

 

Fazer doutorado sanduíche fora do Brasil sem bolsa é possível?

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Nas últimas semanas conversei ao vivo com algumas colegas e recebi frequentemente esta pergunta via facebook. Muitos me questionam como eu estou prestes a viajar sem ter recebido bolsa capes/cnpq/etc ou se eu vou manter a minha bolsa regular atual.

Eu vou para o Canadá, a princípio, sem bolsa. Não, eu não sou rYca e não tenho mãe ou pai pagando pelo meu sanduíche.  Foi uma série fatores, com muito planejamento e organização, que me possibilitou a não desistir de um plano que faço há cerca de seis anos.

Vamos ao começo – como expliquei no post sobre OBABÁ do doutorado sanduíche, geralmente quem se submete ao estágio doutoral fora do Brasil tem o apoio de órgãos governamentais que cedem bolsas de estudo aos aplicantes.

Nos últimos dois anos o nosso país tem enfrentado uma crise bem grande. Não vou entrar nos méritos de quem e o que causou a tal crise, mas o fato é que muitos recursos de diversas áreas prioritárias – como a educação – foram cortados.

Desde maio do ano passado bolsas Capes –  que antes funcionavam em fluxo contínuo como eu explico aqui – foram cortadas. Desde dezembro de 2015 não são concedidas bolsas pelo sistema do CNPq, sendo que apenas em abril desse ano eles “admitiram” que não têm mais recursos para bolsas.

Ainda no ano passado, quando eu vi que as coisas estavam apertando, comecei a me planejar melhor para viajar sem o apoio de bolsa.

Dá para manter a bolsa do Brasil e ir para fora?

Se você recebe através da Capes ou do CNPq no Brasil, você teoricamente você pode ficar alguns meses fora do país recebendo a sua bolsa. O processo precisa ser aprovado  seguindo  exigências da Capes/CNPq e do seu programa.

A Portaria 076 Capes diz: 

“Coleta de dados ou estágio no país e exterior ; Art. 12.

Não haverá suspensão da bolsa quando:

I – o mestrando, por prazo não superior a seis meses, ou o doutorando, por prazo de até doze meses, se afastar da localidade em que realiza o curso, para realizar estágio em instituição nacional ou coletar dados necessários à elaboração de sua dissertação ou tese, se a necessidade da coleta ou estágio for reconhecida pela Comissão de Bolsas CAPES/DS para o desenvolvimento do plano de trabalho proposto; 

II – o doutorando se afastar para realizar estudos referentes a sua tese, por um período de dois a seis meses, conforme acordo estabelecido entre a CAPES e o DAAD – Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico ou demais acordos de natureza semelhante.”

O que o Cnpq diz:

CNPq: 4.11.2 – É permitido, em relação às bolsas de mestrado e doutorado: b) afastamento para estágios de até 6 (seis) meses em outras instituições do País ou exterior, com manutenção da bolsa, sem ônus adicional e sem acúmulo de benefício, desde que justificado pelo orientador e aprovado pelo CNPq;

A legislação do CNPq parece ser mais clara que a da Capes. Ainda assim, as duas fornecem abertura para o pedido.  Se o “estágio” só pode ser feito em território nacional, a “coleta de dados” é a justificativa para o afastamento via Capes.

A situação atual mudou a legistação?

Não. Ela permanece a mesma. No entanto, alguns departamentos estão sendo mais menos rígidos e facilitando aos doutorandos o processo de manter as suas bolsas.

No meu programa, em recente reunião a coordenadora afirmou que tentaria manter as bolsas para quem solicitasse. Ainda assim, não foi dada uma palavra final ainda se será possível manter ou não a minha bolsa. Até o final do mês eu devo entrar com um pedido oficial para o colegiado avaliar o meu caso. Se aprovarem, de acordo com a coordenação do meu curso, eu continuarei recebendo a bolsa enquanto estiver fora. Se não, terei que comunicar a Capes sobre a minha viagem e pedir que eles cancelem o recebimento por um ano, até meu retorno ao Brasil.

Eu realmente espero que eles compreendam que mesmo lá, longe, eu continuarei trabalhando na minha tese e produzindo para o meu curso. Mas infelizmente ainda essa semana uma colega de um outro departamento da UFSC me disse que o que foi passado para ela é que manter a bolsa não é um procedimento aceito.

No fim, está tudo muito confuso. Eu vou apelar para o que a própria legislação da Capes, aquela de cima, diz.

Dá pra se sustentar com a bolsa regular do Brasil, em reais, lá fora?

Dificilmente. Depende muito de como a pessoa vive, de onde ela vai viver. Imagina converter 2.200 reais para libras? Não dá pra fazer praticamente nada. Ainda mais que a passagem e o seguro saúde ficam por conta do pesquisador.

Ainda assim, tem pessoas que eu conheço que foram para os EUA (ainda na época das vacas gordas com a bolsa Capes para doutorado sanduíche) e gastavam menos de 700 dólares por mês. Considerando que, hoje, 2.200 reais seriam cerca de 600 dólares, o prejuízo não seria tão grande. Em países da América Latina eu já ouvi falar que é super possível se manter com R$2.200.

Resumindo, em algumas situações eu acredito que a pessoa consegue se sustentar inteiramente ou pelo menos a bolsa ajuda muito a pessoa a se manter com ajuda de alguma economia prévia. Ainda assim, é uma questão muito pessoal.

Agora estou esperando que venham pessoas raivosas por aqui me questionando “COMO ALGUÉM SOBREVIVE COM ISSO! O QUE ESTÁ DIZENDO É UM ABSURDO”

Gente, eu tô falando que cada caso é um caso.

Há algum tempo eu perguntei em uma comunidade no Facebook se alguém já tinha ido para fora com a bolsa do Brasil e como tinha sido a experiência. Várias pessoas vieram dar palpites indelicados, fazer piadinha e me questionar sobre o absurdo de se sustentar com 2.200 reais fora do Brasil. Quase fui chamada de louca por cogitar sair do Brasil sem a bolsa em dólares. Eu só estava perguntando sobre experiência de quem havia feito aquilo, não estava pedindo palpites agressivos sobre a minha vida. Mas tudo bem, faz parte da poço de raiva que a internet tem se transformado.

Por isso, adianto: não tô aqui para dar uma solução universal para ninguém, só estou passando a minha experiência e o que eu busquei sobre o assunto. Confiram nos seus departamentos as informações, façam suas próprias contas e, por favor, guardem o ódio para outro lugar.

Retornando ao post, como o dólar tá muito instável, a cada dia e a cada novidade política ele oscila, também vivemos uma situação meio montanha russa. No fim, tudo é uma grande aposta. O melhor é estar preparado para pagar- literalmente – caso o seu palpite dê errado.

Caso cortem a sua bolsa no Brasil o que fazer?

Como expliquei em outros posts, no Canadá eu ganho um visto de estudante que me permite a trabalhar até 20h por semana. O salário mínimo na província que eu vou é de mais ou menos 11 dólares a hora. Isso dá cerca de $880 dólares (bruto, sem o desconto de imposto) por mês.

Eu não vou sozinha, meu companheiro vai junto. Ele poderá trabalhar até 40h (salário mínimo bruto de $1760 por mês). Com os dois trabalhando, mesmo que por meio período, teremos uma renda suficiente para nos manter por lá.

Para os gastos extras, vim economizando durante os últimos anos. Já sabia que teríamos que pagar a passagem e o plano de saúde do meu esposo por fora, sem contar os primeiros gastos de relocação, visto, montar a casa, etc.

Às vezes repensar o local da sua pesquisa, procurar um país/estado/universidade que permita você ou seu acompanhante trabalhar possa ser uma saída para passar um ano fora. Em diversos estados dos EUA, por exemplo, eu sei que a esposa/esposo podem solicitar uma permissão de trabalho após o desembarque no país. São fatores importantes a considerar. No Canadá há a possibilidade de você trabalhar 20h. Não sei sobre os outros países, vale conferir.

poupanca

Conclusão: Como meu  planejamento era antigo,  tive que readaptar muita coisa. Não era minha intenção ter que trabalhar em outra coisa fora da minha tese no meu período de sanduíche. Já passei quase dois anos do doutorado trabalhando como professora substituta e vi como acabei não me dedicando da forma que eu queria para a minha tese.

Poder se dedicar exclusivamente para o doutorado é um privilégio que tenho atualmente e gostaria de manter até o final do curso. No entanto, não vou perder uma oportunidade de finalizar meu trabalho fora do Brasil por causa disso. Prefiro ter quer trabalhar servindo café durante 20h semanais e ter a chance de melhorar meu trabalho no Canadá do que ficar aqui sendo bolsista integral.

É tudo uma questão de planejamento e de escolhas. Sugiro que você coloque isso na balança e pese o que é mais importante para você. Meu período como professora substituta 40h na UFSC  coincidiu com os anos iniciais do doutorado. Durante quase dois anos eu trabalhava muito mais que 40h semanais. Passei quase um ano sem ter um final de semana de folga, tive que morar longe do meu esposo, não tive férias de verão nem de inverno, perdi todos os eventos sociais possíveis, amigos se afastaram por causa da minha ausência e tive até uma úlcera nervosa. Ainda assim, não me arrependo de ter passado por essa experiência. Para mim, foi corrido, nervoso, sofrido, mas valeu cada segundo.  Tenho certeza que meu doutorado sanduíche fora do Brasil também vai valer cada centavo e cada gota de suor.

Em um próximo post pretendo fazer um levantamento básico de custos para ajudar no planejamento de quem acompanha o blog. Se tiverem alguma dúvida, a página no facebook é um meio bem rápido para a gente se comunicar. Até a próxima!