É hoje!

HEAD_DIAADIA

Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.

Sonhe (Clarice Lispector)

Criei esse post com o título “É hoje” há três meses, quando eu comecei a fazer a contagem regressiva de 10 em 10 dias. Só tive coragem de começar a escrever algo aqui, hoje, a poucas horas da viagem.

Bem, como descrever um momento assim? Em que algo que você planejou há anos está prestes a acontecer. Não tenho filho, mas já casei, noivei, qualifiquei no doutorado, fui aprovada para o mestrado e depois o doutorado, me formei, virei mestre, ganhei edital, estreiei filme, ganhei prêmios de reconhecimento pelo meu trabalho, passei em concurso público… Posso dizer do fundo do coração que já vivenciei muitos momentos emocionantes, tanto profissionalmente como de cunho pessoal.

Por mais que cada feito tenha o seu mérito, acho que o destaque vai lá para o começo dessa timeline, na minha primeira grande conquista. Depois de dois anos estudando feito louca, passei no vestibular do melhor e mais concorrido curso de jornalismo do país – simplesmente porque eu teimava que tinha que fazer o melhor de todos. Como estudei a vida toda em escola pública me deparei com quilos de matérias e conteúdos que eu nunca tinha visto na vida. Não parei de estudar e não desisti depois de não passar nas provas. Tudo por acreditar que o futuro que eu queria construir para mim dependia daquela aprovação.

Foi uma grande construção (e várias pequenas desconstruções) para chegar até aqui. Hoje penso que a espera desse dia bate todas os outras, talvez por ser o resultado de tanto trabalho acumulado e –  ainda por cima  – ter base em uma expectativa bem mais antiga.

Vou contextualizar: contei aqui que eu morei com meus pais nos EUA quando criança. Meu pai fazia o doutorado sanduíche e levou a família junto. Lembro que a volta pro Brasil foi meio traumática. Eu tinha bem mais amigos nos EUA, morava perto de tudo (no brasil eu morava na pqp), tinha mais brinquedos e principalmente: meus pais e eu éramos bem mais felizes por lá. Voltei tendo certeza que um dia eu voltaria a morar fora e que viveria aquela intensidade novamente.

Desde cedo, quando decidi ser escritora, eu queria morar fora. Até na adolescência, quando eu tive uma banda e achava que ia viver de música, eu sabia que moraria fora. Hoje, escritora/cineasta/jornalista/professora/pesquisadora/#mevironos30, fico feliz porque finalmente o dia chegou.

Para os que pensam: Mas será que eu consigo? Será que eu vou ter apoio? Será que eu tenho coragem?

Eu não tive indicação para conseguir o convite da professora da University of British Columbia. Não entrei nem no doutorado nem no mestrado conhecendo sequer um professor dos cursos. Minha orientadora do mestrado virou minha orientadora cinco meses antes do dia da minha defesa, até aquele momento eu tinha me virado completamente sozinha. No doutorado fiquei o primeiro ano sem orientação também.

A única coisa que eu pensei que era garantida em todo processo eram as bolsas do sanduíche. E o que aconteceu? Elas ficaram indisponíveis bem no semestre que eu podia tentar. Karma? Talvez. Acredito mesmo é que todos os obstáculos são oportunidades para a gente se superar. Sempre existe uma alternativa, às vezes a gente desanima e é difícil enxergar, mas cave um pouquinho mais que a oportunidade vai aparecer.

Digo com orgulho que consegui chegar aqui no suor e com muito, mas muito trabalho. Também tive um tanto de sorte e essa sorte tem nome: minha família. Eles sempre me apóiam, foram um verdadeiro porto seguro para quando eu achava que tudo estava desabando. Imagino que sem eles seria infinitamente mais difícil seguir em frente…

Desabafo aqui com esperança de que meu relato emocionado possa incentivar alguém por aí a não desistir dos seus sonhos. Mesmo daqueles que você se questionou milhares de vezes se realmente conseguiria alcançar. Com persistência, amor e trabalho você pode conseguir. Apenas não desista. 

Agora… chega logo, Canadá!

IMG_2946

(Essa fotinho é na Universidade de Toronto, em 2013, na minha lua de mel. Fomos para o Canadá e pela primeira vez descobrimos o quão incrível esse país era. Saímos de lá com a maior sensação que um dia a gente ainda ia morar por lá. E não é que estávamos certos?)

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