As bolsas para doutorado sanduíche voltaram!

HEAD_BURO

Pessoal, estava devendo aqui um post sobre a volta das bolsas para doutorado sanduíche. O sistema da Capes reabriu, permitindo novas aplicações – para quem está por fora, tava tudo parado desde abril de 2015.

 

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Quer saber como funciona? Tem um post aqui explicando o sistema Capes e outro aqui o CNPQ (que nesse momento, julho de 2016, está fechado ainda).

MAAAAS tem mais.

Algumas regras novas surgiram, é bom prestar atenção.

A primeira delas que tá dando o que falar é a necessidade da qualificação. Bem, eu tenho uma opinião bem forte sobre isso. Galerê, qualificar é o MÍNIMO para uma pessoa sair do nosso país recebendo por isso. Pense bem. A pessoa ganha uma puta bolsa (sim, parece pouco, mas pare para pensar o que isso representa no país em que vivemos), o MÍNIMO que o governo precisa ter certeza é que a sua pesquisa é válida. Se não, a pessoa pode ganhar a bolsa e ter uma pesquisa ruim, sem nexo, mal desenvolvida e lá se foi $$$$ pelos ares, investidos em uma pessoa que não estava preparada para tal.

Daí você pode dizer “ah, mas para que cursar todas as disciplinas antes de partir?” Bem, pense assim. Quando você termina seus créditos na sua Universidade, isso quer dizer que você teoricamente que esgotou todas as possibilidades de conhecimento na instituição brasileira, que aproveitou tudo que era necessário dentro das disciplinas (ou pelo menos espera-se). Assim, você estará com o seu máximo potencial para aproveitar tudo que a universidade gringa pode te oferecer.

O outro porém é que a seleção só é válida para quem viaja de Março a Outubro de 2017. Quem queria partir esse ano, em poucas palavras, se FU… só ano que vem. Mas pelo menos abriu, vamos ser positivos.

Então, pense bem antes de reclamar por causa da qualificação. Novamente: o mínimo que se espera de um estudante que quer ser patrocinado pelo governo é que sua pesquisa tenha validade e que ele esteja na melhor forma para aproveitar realmente o tempo fora.

É difícil qualificar? PRA CARALHO. Mas, confie em mim, não é NADA que você não consiga fazer com PLANEJAMENTO. Eu trabalhava 60 horas por semana nos primeiros anos do meu doutorado e consegui terminar todas as matérias com A e qualificar. Foi fácil? óbvio que não. Mas se eu não tivesse planejado eu não tinha conseguido. Planeje, trabalhe e alcance seus objetivos. A academia é difícil, mas não é impossível.

E aí? Bora se inscrever? Acessa lá o site da capes.

ATUALIZAÇÃO:

Aparentemente a exigência da qualificação foi revogada. É bom verificar entrando em contato com a Capes se continua ou não de pé. Mas a minha opinião ainda é a mesma: qualifique antes de viajar, meu povo. É melhor pra todo mund0 – principalmente para você. 

 

 

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Como é a inscrição para bolsas de doutorado sanduíche (via Capes)

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Vamos por partes, vamos em listas.

Inscrição via Capes, PSDE:

O PDSE é um programa institucional da CAPES com o objetivo de qualificar recursos humanos de alto nível por meio da concessão de cotas de bolsas de doutorado sanduíche às Instituições de Ensino Superior brasileiras (IES) que possuam curso de doutorado recomendado e reconhecido com nota igual ou superior a 3. (Fonte: site Capes)

Traduzindo: aquilo que eu contei antes nos primeiros posts do blog. O processo segue esse lindo infográfico da própria Capes:

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Passos:

  1.  Você comunica o seu curso do seu interesse.

Documentos necessários (sempre confira com o seu curso):

  • Plano de pesquisa no exterior, aprovado pelo orientador brasileiro e coorientador no exterior, constando o cronograma das atividades
  • Currículo Lattes atualizado
  • Carta do orientador brasileiro justificando a necessidade do estágio, demonstrando interação ou relacionamento técnico científico com o coorientador no exterior e declarando que o aluno possui a proficiência necessária na língua estrangeira
  • Carta do coorientador no exterior aprovando o plano de pesquisa, informando o período do estágio e declarando que o aluno possui a proficiência necessária na língua estrangeira
  • Currículo do Orientador fora do Brasil

2. Seu curso segue a forma de seleção que está estabelecida internamente (pontuação, quem chegou primeiro, palitinho, cada um tem o seu processo de seleção)

3. Quando o curso te selecionou, você/curso (depende da instituição) encaminha o pedido para a pró-reitoria.

Documentos necessários:

  • Todos apresentados anteriormente
  • Termo de Seleção de Candidaturas do PDSE com o parecer do consultor externo (no qual o seu curso afirma ter selecionado você)

4. Com o cadastro feito pela sua instituição, você tem acesso ao sistema e poderá:

  • Preencher os dados no sistema (dados pessoais e outras informações do doutorado) no formulário de inscrição

Daí, reza a lenda, depois de dois meses para menos o seu pedido era homologado. Mas bem, como eu citei antes, as coisas não estão funcionando atualmente. Ainda assim, para ver certinho como funciona o programa PSDE e o CSF, você pode acessar a portaria completa esta aqui.

 

 

 

Como financiar o Doutorado Sanduíche

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Ok, você decidiu fazer o Doutorado Sanduíche. Mas como vai pagar?

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Muitos alunos de doutorado sobrevivem somente da bolsa Capes, CNPQ ou outras agências de fomento. A grana é super apertada e é bem difícil poupar a grana suficiente para viajar durante um ano só a partir daí (digo por experiência própria).

Existem editais específicos para o Doutorado Sanduíche, que rendem a pessoa que aplica uma verba decente na moeda local que a pessoa vai. Para os EUA é uma média de 1200 dólares. Para o Canadá, 1300. Para a Europa é menos, acho que 900 euros, se não estou enganada. A tabela varia conforme o edital que você concorre e a moeda local (ex: o euro é mais caro que o dolár, por isso ganha-se menos). A agência também paga quase sempre a passagem, ajuda de deslocamento e o seguro saúde – ambos podem sair bem caro dependendo do país que você vai.

Super incentivador para quem vai viajar, né? Pois é. Quando eu entrei no doutorado, a primeira coisa que eu fiz foi procurar a minha coordenadora para buscar informações sobre a disponibilidade de bolsas no departamento. Fui agraciada com um “Temos muitas bolsas, nunca faltou para ninguém”. Saí dali no céu. Daí veio a crise.

Com a implantação do Ciências sem Fronteira muita gente conseguiu bolsa para doc sanduíche. Eram tantas oportunidades que as áreas não contempladas pelo programa – como a minha artes/letras/comunicação – recebiam os excedentes das bolsas obrigatórias dos programas de Engenharia.

Explicando melhor – todos os programas de pós-graduação com um bom conceito no MEC têm o direito a uma cota de bolsas anuais  da CAPES (no mínimo duas bolsas de um ano, se eu não me engano). Os programas  recebem as inscrições dos alunos interessados e fazem uma seleção de como vão usar as bolsas (cada departamento tem/tinha a sua própria política de seleção).

Na época das vacas gordas, como as áreas do Ciência sem Fronteiras recebiam muitas bolsas, geralmente eles não usavam as das cotas regulares, que acabam vindo para os cursos que não eram contemplados para o programa. Assim, todo mundo (do CSF ou não) com interesse conseguia viajar – provavelmente não todo mundo, mas os que tinham um projeto interessante e realmente tentavam. Como a Capes e o CSF funcionavam em fluxo contínuo não era necessário um edital específico para aplicar, apenas a indicação do seu departamento.

Com a crise política/econômica, em abril/maio de 2015 o sistema da Capes parou de receber pedidos de bolsa. Até quem já havia sido selecionado pelos processos seletivos dos departamentos ficou na mão – o site fechou com um simplório recadinho que iria reabririr em breve. E advinha? Até hoje o recado permanece lá, ninguém da Capes se pronuncia sobre o assunto e nós ficamos sem essa opção de bolsa.

A outra grande agência era a CNPQ. A bolsa deles sempre é mais concorrida, são pouquíssimas, disputadas pelo Brasil todo. Como o valor total é um pouco superior, por conseguinte, o processo de seleção era muito mais acirrado. São três editais durante o ano, cada um com datas específicas voltadas para a viagem do aluno. Para os alunos que aplicaram no meio do ano passado (cronograma 3-2015) o resultado foi divulgado no final de dezembro e para a surpresa de todos ninguém foi selecionado. O motivo – Falta de verbas. Além da falta de dinheiro, o dólar que antes valia 2 passou a valer 4. ou seja, o que se gastava para sustentar dois alunos agora se gasta para um.

Até me inscrevi no edital que abriu em seguida. O resultado não saiu ainda, atrasaram. Mas tenho certeza que vai ocorrer a mesma coisa – não vai ter bolsa pra ninguém.É melhor enfrentar logo a realidade e buscar alternativas.

Na minha Universidade não havia um grande edital com bolsas da própria instituição. Sei que algumas universidades como a UFRJ e USP aparentemente têm. Mas aqui na UFSC não temos outras opções nacionais. De qualquer forma, sempre procure na sua Universidade fomentos alternativos.

Outras bolsas também estão disponíveis de acordo com o lugar e o tempo que o aluno pretende ficar – Programas com parceria de agências estrangeiras como Fulbright, Erasmus Mundus, Santander ainda estão funcionando, é uma boa procurar por lá também.

Fora isso, a instituição que você vai pode oferecer bolsas, principalmente no caso de doutorados plenos. No meu caso, meu visto me permite trabalhar. E por aí, vamos arrumando uma forma fora do sistema tradicional para realizar o sonho do sanduíche.