Planejamento inicial de Viagem para o Canadá (parte 2)

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Continuando o último post.

Setembro de 2015

(11 meses antes da viagem)

Na minha Universidade as coisas geralmente demoram um pouco, e eu já tinha meCaptura de tela 2016-04-19 às 20.20.02planejado com isso. Para eu conseguir as assinaturas que a University of British Columbia me pediu, esperei 22 dias. No final de setembro enviei para UBC toda a papelada que eles precisavam e tudo foi aprovado em mais ou menos cinco dias úteis. Assim que aprovado, eu recebi um login para acessar o sistema da Universidade e emitir um boleto para pagamento da taxa de aceite.

 

 

Outubro de 2015

(10 meses antes da viagem)

A UBC possui um sistema diferente de muitas outras universidades. Após a minha papelada ser aprovada, para eu receber uma carta de aceite eu precisava pagar uma taxa de cerca de $300 dólares canadenses. Pode ser paga por cartão de crédito e só com o Captura de tela 2016-04-19 às 20.20.48pagamento da mesma a carta oficial de aceite da Universidade é emitida. O meu boleto foi criado di primeiro de outubro, se eu não me engano. Paguei e o sistema acusou recebimento em menos de 48h. Falo um pouco mais sobre isso nesse post. Cerca de 10 dias depois recebi a carta oficial da UBC, meu principal documento para o visto.

Há universidades que pedem o pagamento desta caixa apenas quando o processo de visto é iniciado. Nos EUA o padrão é cobrar pela emissão de um documento específico para retirar o visto. Cada instituição tem a sua dinâmica, então é bom consultar. Pretendo fazer um post sobre como na UBC, quem faz doutorado recebe visto de estudante enquanto em outras instituições canadenses o visto é de trabalho. É importante sempre se comunicar com a sua instituição e entender que cada caso é um caso.

 

 

Novembro de 2015

(9 meses antes da viagem)

Nesta época a Capes não estava mais funcionando, mas meu prazo para participar do Edital do CNPQ (que foi aberto, todo mundo se inscreveu mas não classificaram ninguém) era deCaptura de tela 2016-04-19 às 20.20.58dezembro de 2015. Desde o começo de 2015 eu tinha como deadline novembro para estar com todas as cartas de aceite na mão para fazer esse procedimento. Como eu qualifiquei no começo de dezembro, queria qualificar em paz sem ter que me estressar por causa de documentos. E assim o fiz =)

 

 


Dezembro de 2015

(8 meses antes da viagem)

Qualifiquei e me inscrevi no edital do CNPQ. Supostamente o resultado sairia em março,Captura de tela 2016-04-19 às 20.21.08depois adiaram para abril e por último eles admitiram em abril de 2016 – para alguns participantes, por email – que não teria classificados.

Em Dezembro era hora de ser paciente e aguardar  resultado do edital até (inicialmente) Março.

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Março de 2016

(Cinco meses antes da viagem)

Já falei algumas vezes que sou bem ansiosa. Passei janeiro, fevereiro e março na apreensão de não ter bolsa. No fim, infelizmente meu palpite estava certo. Mesmo sem nenhuma resposta oficial, em março eu achava que já estava bem claro que o CNPQ não contemplaria ninguém e se eu quisesse ir eu iria sem bolsa.Fiz as contas, fiz alguns contatos de freela, conversei com o meu companheiro, com as minhas orientadoras e faremos a matemática funcionar.

Nesse mês também começamos a nos programar,a pensar no que vamos vender, o que vamos deixar por aqui. Meu marido planejou e comunicou ao seu sócio sobre a nossa viagem há mais de dois anos, então na sua empresa está tudo programado para ele trabalhar de longe por um ano a partir de agosto. Toda essa experiência de viajar acompanhada do downloadcompanheiro é algo bem legal para compartilhar por aqui em um próximo post. Por enquanto, resumo em dizer que o plano era meu e virou nosso assim que eu expliquei para ele como era importante pra mim. Acredito sempre que casais precisam embarcar juntos no sonho um do outro e foi exatamente o que aconteceu no nosso caso. Coração canadense para o amor.

 

Dei uma pulada nisso, mas durante os meses de janeiro e fevereiro eu comecei a pesquisar muito sobre custo de vida para fazer um planejamento mais detalhado de quanto a gente precisaria por mês para nos mantermos. Falarei disso mais para frente, sobre os gastos planejados para um casal, para uma pessoa sozinha e para alguém(s) com filhos. É claro que também pesquisei sobre o processo do visto. Tenho um post sobre se vale contratar ou não um serviço de auxílio e dois posts (esse 1 e esse 2) sobre o visto em si.

 

Abril de 2016 A.K.A (esse mês!)

Captura de tela 2016-04-19 às 21.04.29(Quatro meses antes da viagem)

Entramos com o pedido de visto neste mês. Pra ser sincera, se eu fosse aconselhar alguém eu diria para entrar com o pedido em março para viajar em agosto. Cinco meses antes me parece ser mais tranquilo que quatro. Ainda assim, tem gente que recebe o visto em menos de um mês, enquanto outros demoram 60 dias úteis. Loteria ou Lotação, não sei dizer.

Por enquanto esse foi meu planejamento no plano do passado, mostrando o que fiz até agora.

Para o próximo post, mostrarei meu planejamento do futuro, para os próximos 100 dias.

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Planejamento inicial de Viagem para o Canadá (parte 1)

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Já falei em alguns dos meus posts que adoro listas, acho uma bela forma de se organizar. A minha proposta deste post é falar um pouco mais sobre o nosso processo de viagem e o planejamento em forma de um calendário.

Seja para você que está doutorado ou você que pensa em estudar no Canadá (graduação ou pós) acredito que esse calendário poderá ser adptado ao seu caso. Vou dividir essa lista em dois posts, se não vai ficar muito gigante.

Relembro que meu plano é viajar em Agosto de 2016.

Meu planejamento começou prévio começou há muito tempo, quando comecei aos poucos guardar uma graninha para esse momento. Acredito que foi lááááá em 2012, quando eu terminava meu mestrado. A ideia de fazer doutorado sanduíche é de 2009, mas resolvi terminar meu mestrado, ver como as coisas estavam indo para começar a poupar especificamente para esse plano.

Fiquei um ano apenas lecionando (precisava de um break e uma imersão maior em sala de aula) e comecei a cursar o doutorado no primeiro semestre de 2014. Meu plano era começar a pesquisa sobre o local onde eu iria neste ano, mas tive inúmeros problemas que me fizeram adiar para o começo de 2015 a pesquisa efetiva.

Então vamos lá:

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Janeiro de 2015

(1 ano e 6 meses antes da viagem)

Comecei a buscar possíveis orientadoras fora do Brasil. Explico aqui no post “” certinho como foi o processo. Vou me ater aqui apenas aos prazos.

Como eu queria buscar com calma, ler bastante a produção das pessoas que eu encontrava sem atrapalhar os meus trabalhos (na época eu lecionava full time na Universidade Federal de Santa Catarina e cursava o doutorado, bem de boa)

Para quem busca uma universidade, acho que três meses dá e sobra para pesquisar sozinho sobre o assunto. Dá para escolher a instituição e já entrar em contato para descobrir como é o processo seletivo. Já ouvi pessoas falarem que para entrar em agosto/setembro os processos podem se iniciar um ano antes dependendo da Universidade/Faculdade escolhida. Esta antecedência de 1 ano e 6 meses é uma boa garantia que você não vai perder as inscrições do lugar que escolher.

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Maio de 2015

(1 ano e 3 meses antes da viagem)

Maio era meu deadline para montar lista das professoras que eu gostaria de trabalhar. Depois de ler os trabalhos e os currículos atentamente, fechei minha lista. Aqui comecei a procurar também modelos de carta para entrar em contato com os profissionais. No post Como escolher uma instituição e um professor para fazer doutorado sanduíche fora do Brasil falo um pouco sobre isso.

Para quem está em outros processos, suponho que 1 ano e três meses antes de sua viagem é bom você agilizar a documentação que os processos seletivos – como college – podem pedir. Não fiz post sobre isso ainda, mas farei em breve.

Junho de 2015

(1 ano e dois meses antes da viagem)

Depois de pesquisar a lista e o formato da carta de primeiro contato, enviei meu primeiro email para um orientador.

Enviar o pedido com tanta antecedência, pelo menos no caso do doutorado sanduíche, doutorado pleno e pós-doutorado é muito importante. Ouvi falar de pessoas que entraram em contato com mais de 10 professores e só começaram a ouvir respostas depois de 15, 20 contatos diferentes!

Quando você faz esse processo sem a indicação de um orientador ou intermediador, da forma que eu fiz, a resposta é basicamente uma loteria. A primeira pessoa que você entrar em contato pode te responder prontamente, mas também é possível que você entre em contato com 30 pessoas que vão te dar negativa.

Aqui eu relembro o porque da lista. Minha ideia sempre foi: se o primeiro não der certo, eu continuo a lista e não perco tempo procurando tudo novamente. O primeiro professor me respondeu em cerca de 10 dias, ele me aceitou, mas estava em uma situação bem especial (desabafo no post). Ainda em Junho entrei em contato com a segunda professora, que me respondeu e me aceitou em três dias.

Captura de tela 2016-04-19 às 20.19.51No entanto, durante o mês de julho enfrentei alguns problemas burocráticos entre as Universidades e acabei repensando minha ida para os EUA e focando no Canadá.

Captura de tela 2016-04-19 às 20.19.56Agosto de 2015

(Um ano antes da viagem)

Semanas esperando um posicionamento do meu departamento me levaram a repensar meu futuro acadêmico. Troquei o país que eu achava que deveria ir pelo lugar que eu realmente queria ir: O Canadá (História bonitinha contada neste post.

Entrei em contato com a minha topo de lista Canadense…. e tirei na loteria! (depois de TANTOS problemas eu merecia muito!). A professora me respondeu no outro dia e em menos de uma semana eu já estava tratando com a University of British Columbia sobre a minha ida.

Sendo assim, em agosto mesmo começaram os tramites com a UBC. Recebi umas documentações que eu precisava preencher, algumas assinaturas etc. Iniciei o processo aqui.

Para não ficar muito extenso o processo, continuo o calendário no próximo post.

 

Pós-Doutorado no Canadá, pode fazer?

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Recentemente recebi um feedback super positivo de vocês e algumas pessoas me pediram para falar sobre Pós-Doutorado no Canadá.

Bem, como eu já havia pesquisado sobre o assunto, resolvi afinal os detalhes para fazer este post.

Inicialmente, aproveito o espaço para dizer que há um edital brasileiro para pós-doc no Canadá aberto! É pela CNPq e fica aberto até dia 24 de maio. No site oficial há mais informações para você se inscrever.

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Começamos pelo básico. O pós-doc não é uma continuação do Doutorado. Em primeiro lugar, o objetivo principal não é uma titulação e sim a experiência que a nova pesquisa irá trazer. As recomendações sempre são que você faça o pós-doc em outra instituição, fugindo da sua experiência anterior e buscando novas especialidades e experiências.

Entendo que há duas possibilidades bem claras no Brasil – se você já é professor em uma Universidade brasileira e se você é um ex-aluno de doutorado.

Se você é um professor, o caminho que geralmente as pessoas recorrem é trabalhar como um Visiting Scholar na Universidade estrangeira pretendida. Frequentemente há (ou a havia) editais de fomento brasileiros para auxiliar professores daqui a ficarem até um ano fora do Brasil (com uma bolsa que equivale quase ao dobro da de doutorado, diga-se de passagem).

Agora se você não tem um vínculo com o Brasil, um caminho bem atraente é tentar bolsas e incentivos da instituição ou do governo do país de destino. Mas que fique claro que também pode tentar uma visita de Visiting Scholar com bolsa do Brasil.

Então como tentar? Em ambos os casos o contato inicial é muito semelhante com o do doutorado sanduíche. Você pode procurar grupos de pesquisa do seu interesse, professores com investigações que te atraem ou até procurar alguém que você já trocou ideia (e contato) em algum evento acadêmico por aí. Uma outra sugestão é ficar de olho em chamadas para pós-doutorandos. Alguns departamentos (nacionais e gringos) divulgam em seus sites as oportunidades.

No email de contato você pode questionar se a pessoa responsável pelo grupo de pesquisa teria interesse em receber você, se teria alguma bolsa, se toparia desenvolver algum projeto para ganhar uma verba para a pesquisa… É difícil limitar aqui por depender muito da sua área de pesquisa. Áreas de saúde e tecnologia conseguem verbas de investimento com bem mais facilidade do do que a área de artes e comunicação, por exemplo. São aproachs bem diferentes.

Há quem diga que três anos é o ideal para uma pesquisa ser desenvolvida.Novamente, acredito depender muito da área. Ah, quando você faz Pós-Doutorado você deixa de ser tratado como aluno e passa a ser tratado como colega, afinal, você subiu na escala da evolução acadêmica quando recebeu o título de doutor. rs.

Conheço duas pessoas que fizeram Pós-Doc no Canadá. As duas me falaram maravilhas. Porém, ambas foram através de agências brasileiras e eram docentes em Universidades Federais do Brasil. Em um caso a pessoa foi atrás de uma pesquisa que gostou e no outro a pessoa conheceu uma chefe de pesquisa do Canadá em uma visita à Universidade brasileira que ele lecionava.

Ainda sobre o Canadá, achei alguns depoimentos de experiência  nesse site.

Linko também uma matéria da Folha (antiga de 2010) falando sobre a falta de interesse em pós-doc. Retirei essa tabela de baixo de lá

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Bem, ainda dá tempo para tentar contato com uma instituição canadense e participar do edital aberto no CNPq. Procure algum grupo de pesquisa e tente se encaixar como Visiting Scholar!

Ah, no pós-doc geralmente você leciona, viu? A ideia é que o aluno de doutorado que tenha problema em atuar como professor ganhe a segurança suficiente para tal durante o pós-doc.

 

 

 

Como obter a Carta de Aceite da Universidade Canadense (UBC)

 

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Bom, até agora contei minha saga em busca do doutorado sanduíche. Pois, então, depois do aceite da orientadora, ela faz uma carta comunicando que está de convidando para fazer o sanduíche na universidadechecklist.jpgNesta carta consta a sua data de visita, o propósito da mesma, de onde você vem e onde você vai atuar na universidade de destino. A professora fala sobre você e o trabalho dela e voilá.

No meu caso, a professora encaminhou a carta em um email para a secretaria de estudantes internacionais da UBC.Ela explicou que me receberia e pediu para que eles explicassem o processo para mim.

Na UBC é assim: eles pedem para você preencher um formulário de aceite, que é um documento de “visitor student/scholar”. Tem que preencher tudo e depois conseguir a assinatura de confirmação da sua coordenadora e de sua orientadora no Brasil. Também são necessárias as assinaturas da coordenadora e da orientadora na UBC. No meu caso, o próprio departamento foi kind enough para conseguir as assinaturas por lá, sem eu ter que interferir. Importante: é tudo digital. Nada de documento pelo correio. Foi “só” preencher, pegar as assinaturas, escanear e enviar por email. Lá eles imprimiram, pegaram as assinaturas que faltavam e inseriram meu processo no sistema.

Com isso pronto, tive que preencher mais algumas coisas em um acesso especial no site, liberado após a primeira ficha. Depois, tive que esperar uma guia para o pagamento de um boleto. Esse boleto foi gerado depois que todos os dados do meu processo foram verificados. Demorou dois dias – a partir do preenchimento no site – para o boleto ser gerado no meu caso. Daí eu paguei ele aqui no Brasil (no meu cartão de crédito mesmo). A partir do momento que o pagamento caí, eles avaliam a tua inscrição oficialmente.

10 dias depois (acho que úteis) chegou no meu email a carta oficial de aceite da Universidade. Ao todo o processo demorou cerca de 45 dias (vale observar que só na minha Universidade demorou mais de duas semanas para eu conseguir as assinaturas necessárias).

No caso da UBC, eles só emitem esse documento mediante o pagamento da avaliação do pedido. Essa carta é fundamental para entrar com pedido de bolsa. Todas as agências de fomento pedem uma carta de aceite da Professora e outra da Universidade) A carta também é a prova que eu tenho para o pedido do visto de estudante para o Canadá.

No entanto, na maioria das Universidades, o processo não é assim. Nas americanas, por exemplo, a maioria emite a carta de aceite da instituição logo a seguir que a professora aceita o aluno. Depois, quando o aluno consegue a bolsa, ele entra em contato para conseguir um documento específico que pedem na hora de tirar o visto  – esse sim quase sempre é acompanhado por uma taxa.

A maioria das universidades canadenses também não cobra na taxa na carta de aceite, algumas cobram na hora de emitir uma carta pro visto. Na UBC é só uma carta, paga já no início. Não são documentos diferentes.

Ouvi falar de universidades que pedem prova de proficiência antes de emitir o aceite. No meu caso, não foi necessário. Meu mestrado foi em língua inglesa no Brasil, me formei no curso de inglês com 13 anos, dei aula de inglês dos 16 aos 21 e morei nos Estados Unidos por dois anos quando eu era criança. Nem precisei entrar em muitos detalhes, só pela conversa a minha orientadora já comunicou a minha proficiência. Mas cada caso é um caso.

Encerro aqui a minha experiência com a carta de aceite. Sempre que recordo da sensação de ter recebido essa carta, lembro daquela música breguíssima “Why do birds suddenly appear, everytime, you are near”. Música de felicidade, in love. S2. Quando meu visto chegar, tenho certeza que vai ser essa mesma sensação over and over.

No próximo capítulo eu falo sobre a inscrição no edital da Capes/CNPQ.

Como entrar em contato com uma instituição e um professor fora do Brasil?

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Continuando a minha saga…

Passou uma semana e nada do professor que eu escolhi me responder. Até me questionei se ele era tão “presente” como tinham me falado… Enviei um outro email para ele, pedindo desculpas pela insistência (tratar pessoas com educação nunca é demais!) e falando que eu tinha um prazo para definir o meu orientador e se fosse possível, precisava da resposta dele o quanto antes.

O professor realmente era um cara excepcional. Ele me respondeu com toda gentileza, super interessado no meu trabalho, querendo me receber na sua universidade. Mas tinha um grande porém… Ele me relatou que estava com um problema de saúde muito grave, tinha acabado de receber o diagnóstico e era possível que ele tivesse um tratamento que exigisse muito dele e que provavelmente ele não estaria ao meu lado como gostaria. Fiquei super em choque, me comovi muito… Confesso que fiquei um dia todo pensando no que fazer, se aceitava ou não.

No fim, optei por não trabalhar com ele por compreender que eu atrapalharia o tratamento e de forma alguma eu queria fazer isso. Tentei me colocar na situação dele e achei que ter uma orientanda naquela hora seria muito inconveniente.E foi assim que desisti de trabalhar com o primeiro professor que eu entrei em contato.

No dia seguinte enviei um email para aquela professora fodástica que eu queria trabalhar. Pensei – que saber? Vou tentar. YOLO. Para minha surpresa ela me respondeu um dia depois, dizendo que tinha interesse em trabalhar comigo e que queria saber mais sobre o meu trabalho. Dei pulinhos. Anexei meu plano de trabalho e enviei para ela.

Aqui entra um porém – você pode estar se perguntando, como é um plano de trabalho? O meu foi bem simples.  Tentei ser super breve e coloquei os seguintes campos

  • Scholar (meu nome)

  • Period (o período proposto para a minha pesquisa)

  • Dissertation Title ( o título da minha tese – Olha a pegadinha: em inglês thesis é de mestrado e dissertation é de doutorado!)

  • Plan of Activities (expliquei o que eu pretendia fazer por lá, pq eu queria ir, etc)

  • Objectives (não apenas os objetivos do trabalho, mas o de fazer sanduíche)

  • Timetable

Mandei essa proposta e um resumo do meu projeto em inglês. Vale dizer aqui que o meu projeto original do doutorado tem 40 páginas e o que eu mandei para ela tinha quatro – Objetividade nesse caso é fundamental!

A professora me respondeu no dia seguinte, elogiando meu trabalho, elogiando meu currículo, dizendo que estaria muito feliz de trabalhar comigo… Foi um verdadeiro sonho! Ela foi só elogios, senti que ela realmente queria trabalhar comigo e fiquei impressionada com uma pessoa com o currículo dela me achar interessante assim!

Ficamos de nos falar mais para a frente, onde eu enviaria mais detalhes sobre a carta de aceite que eu precisava dela e da universidade. Quando eu peguei os detalhes com o secretário do meu curso ( e tb no site da Capes) enviei para ela. Daí entrou o problema – a Universidade em questão não trabalhava com a nomenclatura de Doutorado Sanduíche e ela ainda precisava ser colocada oficialmente como minha co-orientadora em co-tutela. No meu departamento esse não era um procedimento comum. Entre o vai e vem de informações, tive que fazer um pedido para a minha coordenadora levar ao colegiado para ver se seria possível realizar tal tarefa (mais burocracia impossível).

Nesse meio tempo de esperar respostas do meu departamento, comecei a questionar toda a burocracia que eu estava enfrentando. Comecei a ter umas crises, pensar sobre o meu futuro como professora, pesquisadora, sobre o que eu queria realmente. A professora americana era uma querida, mas vivia perguntando sobre novidades e eu não tinha uma sequer para passar para ela. Comecei a ficar muito incomodada com a situação, ela lá, super prestativa, e eu aqui, enrolando e enrolando pq meu departamento não me dava respostas. Resolvi explicar para ela que o procedimento não era comum no meu departamento e infelizmente eu teria que negar o aceite/convite. Foi muito difícil fazer isso. Mas hoje penso que as coisas ocorrem sempre por algum motivo, pois foi no meio desse tsunami que o Canadá reapareceu na minha vida. (!)