Como financiar o Doutorado Sanduíche

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Ok, você decidiu fazer o Doutorado Sanduíche. Mas como vai pagar?

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Muitos alunos de doutorado sobrevivem somente da bolsa Capes, CNPQ ou outras agências de fomento. A grana é super apertada e é bem difícil poupar a grana suficiente para viajar durante um ano só a partir daí (digo por experiência própria).

Existem editais específicos para o Doutorado Sanduíche, que rendem a pessoa que aplica uma verba decente na moeda local que a pessoa vai. Para os EUA é uma média de 1200 dólares. Para o Canadá, 1300. Para a Europa é menos, acho que 900 euros, se não estou enganada. A tabela varia conforme o edital que você concorre e a moeda local (ex: o euro é mais caro que o dolár, por isso ganha-se menos). A agência também paga quase sempre a passagem, ajuda de deslocamento e o seguro saúde – ambos podem sair bem caro dependendo do país que você vai.

Super incentivador para quem vai viajar, né? Pois é. Quando eu entrei no doutorado, a primeira coisa que eu fiz foi procurar a minha coordenadora para buscar informações sobre a disponibilidade de bolsas no departamento. Fui agraciada com um “Temos muitas bolsas, nunca faltou para ninguém”. Saí dali no céu. Daí veio a crise.

Com a implantação do Ciências sem Fronteira muita gente conseguiu bolsa para doc sanduíche. Eram tantas oportunidades que as áreas não contempladas pelo programa – como a minha artes/letras/comunicação – recebiam os excedentes das bolsas obrigatórias dos programas de Engenharia.

Explicando melhor – todos os programas de pós-graduação com um bom conceito no MEC têm o direito a uma cota de bolsas anuais  da CAPES (no mínimo duas bolsas de um ano, se eu não me engano). Os programas  recebem as inscrições dos alunos interessados e fazem uma seleção de como vão usar as bolsas (cada departamento tem/tinha a sua própria política de seleção).

Na época das vacas gordas, como as áreas do Ciência sem Fronteiras recebiam muitas bolsas, geralmente eles não usavam as das cotas regulares, que acabam vindo para os cursos que não eram contemplados para o programa. Assim, todo mundo (do CSF ou não) com interesse conseguia viajar – provavelmente não todo mundo, mas os que tinham um projeto interessante e realmente tentavam. Como a Capes e o CSF funcionavam em fluxo contínuo não era necessário um edital específico para aplicar, apenas a indicação do seu departamento.

Com a crise política/econômica, em abril/maio de 2015 o sistema da Capes parou de receber pedidos de bolsa. Até quem já havia sido selecionado pelos processos seletivos dos departamentos ficou na mão – o site fechou com um simplório recadinho que iria reabririr em breve. E advinha? Até hoje o recado permanece lá, ninguém da Capes se pronuncia sobre o assunto e nós ficamos sem essa opção de bolsa.

A outra grande agência era a CNPQ. A bolsa deles sempre é mais concorrida, são pouquíssimas, disputadas pelo Brasil todo. Como o valor total é um pouco superior, por conseguinte, o processo de seleção era muito mais acirrado. São três editais durante o ano, cada um com datas específicas voltadas para a viagem do aluno. Para os alunos que aplicaram no meio do ano passado (cronograma 3-2015) o resultado foi divulgado no final de dezembro e para a surpresa de todos ninguém foi selecionado. O motivo – Falta de verbas. Além da falta de dinheiro, o dólar que antes valia 2 passou a valer 4. ou seja, o que se gastava para sustentar dois alunos agora se gasta para um.

Até me inscrevi no edital que abriu em seguida. O resultado não saiu ainda, atrasaram. Mas tenho certeza que vai ocorrer a mesma coisa – não vai ter bolsa pra ninguém.É melhor enfrentar logo a realidade e buscar alternativas.

Na minha Universidade não havia um grande edital com bolsas da própria instituição. Sei que algumas universidades como a UFRJ e USP aparentemente têm. Mas aqui na UFSC não temos outras opções nacionais. De qualquer forma, sempre procure na sua Universidade fomentos alternativos.

Outras bolsas também estão disponíveis de acordo com o lugar e o tempo que o aluno pretende ficar – Programas com parceria de agências estrangeiras como Fulbright, Erasmus Mundus, Santander ainda estão funcionando, é uma boa procurar por lá também.

Fora isso, a instituição que você vai pode oferecer bolsas, principalmente no caso de doutorados plenos. No meu caso, meu visto me permite trabalhar. E por aí, vamos arrumando uma forma fora do sistema tradicional para realizar o sonho do sanduíche.

 

 

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