Planejamento inicial de Viagem para o Canadá (parte 1)

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Já falei em alguns dos meus posts que adoro listas, acho uma bela forma de se organizar. A minha proposta deste post é falar um pouco mais sobre o nosso processo de viagem e o planejamento em forma de um calendário.

Seja para você que está doutorado ou você que pensa em estudar no Canadá (graduação ou pós) acredito que esse calendário poderá ser adptado ao seu caso. Vou dividir essa lista em dois posts, se não vai ficar muito gigante.

Relembro que meu plano é viajar em Agosto de 2016.

Meu planejamento começou prévio começou há muito tempo, quando comecei aos poucos guardar uma graninha para esse momento. Acredito que foi lááááá em 2012, quando eu terminava meu mestrado. A ideia de fazer doutorado sanduíche é de 2009, mas resolvi terminar meu mestrado, ver como as coisas estavam indo para começar a poupar especificamente para esse plano.

Fiquei um ano apenas lecionando (precisava de um break e uma imersão maior em sala de aula) e comecei a cursar o doutorado no primeiro semestre de 2014. Meu plano era começar a pesquisa sobre o local onde eu iria neste ano, mas tive inúmeros problemas que me fizeram adiar para o começo de 2015 a pesquisa efetiva.

Então vamos lá:

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Janeiro de 2015

(1 ano e 6 meses antes da viagem)

Comecei a buscar possíveis orientadoras fora do Brasil. Explico aqui no post “” certinho como foi o processo. Vou me ater aqui apenas aos prazos.

Como eu queria buscar com calma, ler bastante a produção das pessoas que eu encontrava sem atrapalhar os meus trabalhos (na época eu lecionava full time na Universidade Federal de Santa Catarina e cursava o doutorado, bem de boa)

Para quem busca uma universidade, acho que três meses dá e sobra para pesquisar sozinho sobre o assunto. Dá para escolher a instituição e já entrar em contato para descobrir como é o processo seletivo. Já ouvi pessoas falarem que para entrar em agosto/setembro os processos podem se iniciar um ano antes dependendo da Universidade/Faculdade escolhida. Esta antecedência de 1 ano e 6 meses é uma boa garantia que você não vai perder as inscrições do lugar que escolher.

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Maio de 2015

(1 ano e 3 meses antes da viagem)

Maio era meu deadline para montar lista das professoras que eu gostaria de trabalhar. Depois de ler os trabalhos e os currículos atentamente, fechei minha lista. Aqui comecei a procurar também modelos de carta para entrar em contato com os profissionais. No post Como escolher uma instituição e um professor para fazer doutorado sanduíche fora do Brasil falo um pouco sobre isso.

Para quem está em outros processos, suponho que 1 ano e três meses antes de sua viagem é bom você agilizar a documentação que os processos seletivos – como college – podem pedir. Não fiz post sobre isso ainda, mas farei em breve.

Junho de 2015

(1 ano e dois meses antes da viagem)

Depois de pesquisar a lista e o formato da carta de primeiro contato, enviei meu primeiro email para um orientador.

Enviar o pedido com tanta antecedência, pelo menos no caso do doutorado sanduíche, doutorado pleno e pós-doutorado é muito importante. Ouvi falar de pessoas que entraram em contato com mais de 10 professores e só começaram a ouvir respostas depois de 15, 20 contatos diferentes!

Quando você faz esse processo sem a indicação de um orientador ou intermediador, da forma que eu fiz, a resposta é basicamente uma loteria. A primeira pessoa que você entrar em contato pode te responder prontamente, mas também é possível que você entre em contato com 30 pessoas que vão te dar negativa.

Aqui eu relembro o porque da lista. Minha ideia sempre foi: se o primeiro não der certo, eu continuo a lista e não perco tempo procurando tudo novamente. O primeiro professor me respondeu em cerca de 10 dias, ele me aceitou, mas estava em uma situação bem especial (desabafo no post). Ainda em Junho entrei em contato com a segunda professora, que me respondeu e me aceitou em três dias.

Captura de tela 2016-04-19 às 20.19.51No entanto, durante o mês de julho enfrentei alguns problemas burocráticos entre as Universidades e acabei repensando minha ida para os EUA e focando no Canadá.

Captura de tela 2016-04-19 às 20.19.56Agosto de 2015

(Um ano antes da viagem)

Semanas esperando um posicionamento do meu departamento me levaram a repensar meu futuro acadêmico. Troquei o país que eu achava que deveria ir pelo lugar que eu realmente queria ir: O Canadá (História bonitinha contada neste post.

Entrei em contato com a minha topo de lista Canadense…. e tirei na loteria! (depois de TANTOS problemas eu merecia muito!). A professora me respondeu no outro dia e em menos de uma semana eu já estava tratando com a University of British Columbia sobre a minha ida.

Sendo assim, em agosto mesmo começaram os tramites com a UBC. Recebi umas documentações que eu precisava preencher, algumas assinaturas etc. Iniciei o processo aqui.

Para não ficar muito extenso o processo, continuo o calendário no próximo post.

 

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Pós-Doutorado no Canadá, pode fazer?

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Recentemente recebi um feedback super positivo de vocês e algumas pessoas me pediram para falar sobre Pós-Doutorado no Canadá.

Bem, como eu já havia pesquisado sobre o assunto, resolvi afinal os detalhes para fazer este post.

Inicialmente, aproveito o espaço para dizer que há um edital brasileiro para pós-doc no Canadá aberto! É pela CNPq e fica aberto até dia 24 de maio. No site oficial há mais informações para você se inscrever.

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Começamos pelo básico. O pós-doc não é uma continuação do Doutorado. Em primeiro lugar, o objetivo principal não é uma titulação e sim a experiência que a nova pesquisa irá trazer. As recomendações sempre são que você faça o pós-doc em outra instituição, fugindo da sua experiência anterior e buscando novas especialidades e experiências.

Entendo que há duas possibilidades bem claras no Brasil – se você já é professor em uma Universidade brasileira e se você é um ex-aluno de doutorado.

Se você é um professor, o caminho que geralmente as pessoas recorrem é trabalhar como um Visiting Scholar na Universidade estrangeira pretendida. Frequentemente há (ou a havia) editais de fomento brasileiros para auxiliar professores daqui a ficarem até um ano fora do Brasil (com uma bolsa que equivale quase ao dobro da de doutorado, diga-se de passagem).

Agora se você não tem um vínculo com o Brasil, um caminho bem atraente é tentar bolsas e incentivos da instituição ou do governo do país de destino. Mas que fique claro que também pode tentar uma visita de Visiting Scholar com bolsa do Brasil.

Então como tentar? Em ambos os casos o contato inicial é muito semelhante com o do doutorado sanduíche. Você pode procurar grupos de pesquisa do seu interesse, professores com investigações que te atraem ou até procurar alguém que você já trocou ideia (e contato) em algum evento acadêmico por aí. Uma outra sugestão é ficar de olho em chamadas para pós-doutorandos. Alguns departamentos (nacionais e gringos) divulgam em seus sites as oportunidades.

No email de contato você pode questionar se a pessoa responsável pelo grupo de pesquisa teria interesse em receber você, se teria alguma bolsa, se toparia desenvolver algum projeto para ganhar uma verba para a pesquisa… É difícil limitar aqui por depender muito da sua área de pesquisa. Áreas de saúde e tecnologia conseguem verbas de investimento com bem mais facilidade do do que a área de artes e comunicação, por exemplo. São aproachs bem diferentes.

Há quem diga que três anos é o ideal para uma pesquisa ser desenvolvida.Novamente, acredito depender muito da área. Ah, quando você faz Pós-Doutorado você deixa de ser tratado como aluno e passa a ser tratado como colega, afinal, você subiu na escala da evolução acadêmica quando recebeu o título de doutor. rs.

Conheço duas pessoas que fizeram Pós-Doc no Canadá. As duas me falaram maravilhas. Porém, ambas foram através de agências brasileiras e eram docentes em Universidades Federais do Brasil. Em um caso a pessoa foi atrás de uma pesquisa que gostou e no outro a pessoa conheceu uma chefe de pesquisa do Canadá em uma visita à Universidade brasileira que ele lecionava.

Ainda sobre o Canadá, achei alguns depoimentos de experiência  nesse site.

Linko também uma matéria da Folha (antiga de 2010) falando sobre a falta de interesse em pós-doc. Retirei essa tabela de baixo de lá

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Bem, ainda dá tempo para tentar contato com uma instituição canadense e participar do edital aberto no CNPq. Procure algum grupo de pesquisa e tente se encaixar como Visiting Scholar!

Ah, no pós-doc geralmente você leciona, viu? A ideia é que o aluno de doutorado que tenha problema em atuar como professor ganhe a segurança suficiente para tal durante o pós-doc.

 

 

 

Como escolher uma instituição e um professor para fazer doutorado sanduíche fora do Brasil?

Essa fotinho linda é da University of British Columbia, a UBC. AKA a Universidade que eu vou! Essa linda, maravilhosa, que não conheço ainda pessoalmente, mas que já considero tanto! (a foto logicamente não é minha, peguei no google)

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Quando comecei a pensar para onde eu iria, fiquei um tanto frenética atrás de informações sobre como funcionava em si o sanduíche. Não sabia ao certo como se davam procedimentos básicos como mandar uma carta para o professor, para quem mandar, como procurar alguém da minha área… Na época eu passei pelo complicadíssimo caso de mudar de orientadora e ainda por cima trabalhava full time como professora substituta na UFSC. Lotada de trabalho e sem uma orientação, eu não tinha muito com quem contar. Sozinha no mundo fui atrás de informações na internet.

Mesmo depois de arrumar uma orientação legal, as recomendações não vieram. Como o meu estudo é interdisciplinar, infelizmente ninguém do meu departamento conseguiu me colocar em contato com um professor na minha área de estudo. Porém, que fique claro que o meu caso é/foi uma exceção. Geralmente quem indica uma universidade/professor para o sanduíche é o seu orientador no Brasil. Quase sempre é algum profissional que essa pessoa conhece ou já trabalhou. Em 85% dos casos (de pessoas que eu conheço ou ouvi falar sobre) funcionou dessa forma. O orientador indica a pessoa, coloca o aluno e o professor fora do Brasil em contato e os dois se acertam.

Forever Alone, eu comecei minha busca procurando artigos sobre o que eu estou pesquisando. Fui via google mesmo. Quando eu achava trabalhos interessantes, parava, lia, anotava o nome da pessoa e seguia em frente. Passei uns três meses fazendo isso no meu tempo vago. Como minha intenção era ir para os EUA, eu selecionava apenas acadêmicos de lá. Cheguei a uma lista com nove nomes. Coloquei eles em ordem dos que eu mais queria trabalhar. Era hora de entrar em contato com eles, começando pelo topo da minha lista.

Procurei pela internet inteira como era uma carta de apresentação. Achei pouquíssimas referências. Acredito que essas dicas são melhores do que um modelo em si:

  • Pense em um email pequeno, básico, com no máximo três parágrafos.
  • Se apresente brevemente.
  • Fale por cima do seu trabalho, se o professor se interessar pedirá mais detalhes
  • Seja agradável, não pressione a pessoa a te aceitar
  • Não mande email com erros…  (Tenha pelo menos o trabalho de passar o email no word e verificar se tem algum erro. Você vai enviar o email em outra língua, mas isso não é desculpa para escrever errado. Pense a primeira impressão que um email todo cheio de erros vai causar!)

Pedi também que uma colega me enviasse a carta que ela mandou para o orientador dela no exterior. O email dela me deixou mais tranquila, vi que o meu estava semelhante e isso me deu mais confiança.

Na hora H, fiquei em dúvida entre enviar o primeiro email para dois professores. Uma era um sonho na terra, o ícone na minha área de pesquisa. O outro tinha a pesquisa muito interessante, mas não tão importante para a minha pesquisa quanto a outra professora.

Como eu tinha ouvido falar maravilhas do segundo professor, optei por ele. Na academia a gente aprende que muitas vezes é melhor estar com um professor que a pesquisa não é tão relacionada com a sua, mas vai estar do seu lado e será uma boa pessoa do que optar por alguém que é a cara da sua pesquisa, mas levou o sistema lattes muito a sério e que se tornou uma pessoa insuportável de viver ao lado. Novamente, falo por experiência própria.

Por fim, a escolha da Universidade acaba sendo uma consequência da professora que você escolhe. Claro que uma boa Universidade é importante, mas consequentemente se você escolher uma boa professora provavelmente ela estará em uma boa instituição. Pessoalmente, eu confesso que o lugar da Universidade em questão estava longe de ser um local que eu gostaria de morar. Mas como se tratava de um professor excelente em uma instituição que está entre as 50 melhores do mundo, eu não tinha como reclamar.

Bem, no próximo post eu continuo a minha história de como entrar em contato.