Como é levar a família para morar fora do país – filhos adolescentes!

 

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Bem, todo mundo sabe que lidar com adolescente pode ser um pouco complicado. Eu não fui uma garota muito problemática, mas lembro que quando meus pais me falaram que a gente ia passar um ano fora eu fui bem chata com eles.

Eu estava prestes a fazer 14 anos, naquela idade onde amizade é tudo na vida da pessoa. Minha vida social tava começando a existir, eu tinha uma banda, a última coisa que eu queria era sair do meu ciclo. Reclamei, mas não tinha muita opção.

O fato de eu já ser fluente em inglês facilitou muito a minha vida ( e a dos meus pais). Imagino que nessa idade, ir para um lugar que você não consegue se comunicar, deve ser bem mais complicado do que quando eu fui aos 9 anos. São fases muito diferentes.

Existe bulling nas escolas americanas? Na minha época existiu e não era igual o daqui. Não sei se é pelo fato de eu ter estudado na mesma escola da primeira série ao terceirão no Brasil, mas lá eu senti umas coisas diferentes. Não era por ser estrangeira, por incrível que pareça. A maioria do problema que senti foi por ser menina, ter mudado de colégio e os meninos terem “se empolgado”com a novidade. Algumas meninas me tratavam muito mal, ficavam fazendo piada das minhas roupas, da minha aparência, enquanto alguns meninos eram insistentes e faziam umas gracinhas abusivas ao ponto de eu reclamar para diretoria. Mas tudo isso durou menos de um mês.

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Na primeira semana eu não almocei no banheiro, como aqueles filmes de high school mostram os excluídos fazendo. Mas eu também não almocei no refeitório. Fiquei na sala de música. Fui para o refeitório quando recebi um convite de uma colega que me chamou para sentar na mesa que ela e suas amigas sentavam. E assim começaram algumas amizades que tenho até hoje.

Se fosse possível  voltar no tempo e conversar comigo mesma, eu diria as seguintes coisas:

  • Essa é uma experiência única, de conhecer lugares, situações, um mundo muito diferente do seu! Aproveite MUITO porque quando você ficar velha vai pensar em tudo que poderia ter feito e não fez. Se joga!
  • Pensa em como você vai falar inglês bem depois de tudo isso? Sempre que você viajar não vai ter problemas para se comunicar! Vai ser bom pra escola, faculdade, trabalho…
  • Abra sua cabeça para novas experiências e seu coração para novas amizades. Suas amigas no Brasil vão continuar sendo suas amigas e nesse novo lugar você poderá fazer amizades tão importantes quanto as suas antigas. O coração é grande cabe todo mundo S2.

Essa seria eu, com 31, falando com a Fernanda de 13.

Resumindo, what doesn’t kill you makes you stronger. Com certeza seu teen vai sair muito melhor depois da experiência. Experiência própria 😉

Para ler as dicas de viajar com crianças, veja neste post.

 

 

 

Como é levar a família para morar fora do país – Filhos pequenos (parte 1)

Resolvi iniciar uma nova série por aqui que pode ajudar algumas mamães e papais que ficam com medo de morar fora do Brasil com seus filhos.

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Primeiramente, eu não tenho filhos. Mas eu fui a criança que morou fora durante o doutorado sanduíche do meu pai. Posso garantir que hoje minha vida seria MUITO diferente se eles não tivessem tido a coragem de, lá em 1994, passar um ano nos Estados Unidos.

Fomos para o estado da Virginia em 1994, quando eu tinha 9 anos de idade. Naquela época as coisas eram bem complicadas financeiramente para muitas famílias, para a minha foi um período bem difícil de equilibrar as contas. Lá em casa não existia a opção de realizar atividades fora da escola pública na qual eu estudava. E, nos anos 90, pelo menos na cidade onde eu morava, não era comum crianças estudarem línguas estrangeiras no ensino fundamental.

Contei isso tudo para contextualizar que eu viajei sem saber uma palavra em inglês. Na verdade eu sabia uma frase que decorei “My name miss Fernanda”. Nada de verbo to be. Eu achava que miss era de miss, tipo miss Brasil. Falava super feliz, achando que era um elogio ser chamada de miss. Para ter noção do nível do meu “domínio” de inglês.

Cheguei no mês de dezembro, tinha acabado a terceira série por aqui (equivalente a quarta série hoje em dia). Meu pai me matriculou na escola americana e na mesma semana em que eu cheguei comecei às aulas regularmente. Como eu tinha um ótimo desempenho aqui no Brasil, me permitiram entrar na metade da quarta série (as aulas no hemisfério norte começam em agosto e eu cheguei em dezembro). Mesmo eu tendo acabado de terminar a terceira no Brasil e sem falar inglês, pulei metade da quarta série.

Eu realmente não sabia falar nada. Lembro de gesticular para a professora na primeira semana em um dia que eu queria fazer xixi e precisava ir no banheiro. Lembro dos meus colegas falando coisas que eu não entendia e como era minha tentativa constante de me comunicar com eles. Lembro de um dia, provavelmente uma ou duas semanas depois de eu ter começado às aulas, em que eu fiz uma tarefa em que eu tinha que escrever todas as palavras em inglês que eu sabia. Fui correndo mostrar a atividade para o meu pai, eu tinha escrito umas 50 palavras. Lembro dele me falando “É, filha. Você vai precisar estudar muito ainda”.

Nenhuma destas recordações me traz medo, insatisfação, vergonha. Eu sempre lembro disso com o maior orgulho, com uma felicidade imensa. Lembro como foi desafiador, como eu me sentia realizada cada vez que eu conseguia entender uma palavra.

eu e duda(Eu e meu irmão visitando a Casa Branca. Eu, aos 10, já com uma câmera na mão.)

Aos poucos meu vocabulário foi crescendo, minha fala foi se desenvolvendo.No dia em que celebramos meu aniversário na escola, com cerca de três meses de sala de aula, eu comecei a falar tanto que a professora teve que pedir para eu ficar quieta. Acho que ali eu me dei conta que eu não sentia mais dificuldade em falar com ninguém, eu já tinha dominado a língua.

É claro que provavelmente eu falava verbo errado, conjugações ruins, enfim. Mas eu me comunicava sem problema algum e diferente de nós adultos, que ficamos com vergonha de falar algo errado, quando somos criança estamos pouco nos lixando para erros. Eu lembro que eu queria é falar. Recordo de como conseguir a fluência em inglês foi uma conquista. Aos poucos eu fui falando melhor e tirando notas mais altas em inglês.

Quando voltamos para o Brasil, eu já estava na metade da quinta série estadunidense. Voltei, tive férias e cursei o começo da quinta. Como meus pais ouviram muitos relatos de crianças que depois de aprender inglês fora voltaram ao Brasil  e ao se afastarem da língua gringa  acabaram esquecendo muita coisa, eles suaram a camisa e conseguiram pagar um curso de inglês para mim. Como eu já falava muito bem, pulei todas as fases infantis (na época crianças até 13 anos cursavam essas turmas). Eu fui para o final do nível intermediário de adultos. Meus colegas eram quase todos 10 anos mais velhos que eu (eu com 11 e a galera na casa dos 20).

Em pouco mais de dois anos eu me formei em inglês, aos 13. Na época, em 1998, eu fui a pessoa mais jovem do Fisk (escola que eu cursava) a me formar por lá. Provavelmente alguém já derrubou meu recorde, mas na época do ocorrido era um super orgulho.

Nos próximos posts eu conto mais sobre fatos de morar quando criança fora do país e também falo sobre como é morar adolescente (meu pai foi fazer pós doc e lá fomos nós novamente para os EUA).